Quase 40% das queixas dirigidas, em 2012, à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), relacionam-se com ofensas corporais cometidas pelas forças de segurança, voltando a PSP a liderar as reclamações pelo segundo ano consecutivo.

Os dados constam do relatório de atividades de 2012 da IGAI, divulgado na quinta-feira na página da entidade na Internet.

No relatório, também se conclui que 25 pessoas foram mortas pela GNR e PSP nos últimos seis anos

Segundo o documento, 37,9% das ocorrências denunciadas no ano passado, num total de 310, referem-se a ofensas corporais, das quais 181 visam a PSP e 126 a GNR.

Ao todo, chegaram à IGAI, em 2012, 817 denúncias de ocorrências contra forças de segurança e serviços dependentes do Ministério da Administração Interna - 505 encaminhadas pelo Ministério Público e 312 recebidas diretamente pela inspeção de outras fontes, nomeadamente cidadãos.

A PSP é a força de segurança mais visada, ao concentrar mais de metade das queixas, 405 contra 310 da GNR.

O relatório adianta que, depois das ofensas corporais, outras ocorrências como a violência doméstica (27,5%,) e os procedimentos ou comportamentos incorretos (14,1%) encabeçam a lista dos casos mais denunciados, totalizando, respetivamente, 225 e 115.

Seguem-se os assuntos de natureza interna ou profissional (7,1%), abuso de autoridade (6,6%) e ilegalidades, irregularidades e omissões (5,6%) com, respetivamente, 58, 54 e 46 participações.

Comparativamente com o relatório anterior, de 2011, no ano passado chegaram à IGAI menos 96 queixas contra a atividade das forças de segurança e dos serviços dependentes do Ministério da Administração Interna.

Contudo, em 2011, tal como em 2012, as ofensas corporais cometidas pelas forças de segurança foram as ocorrências mais denunciadas, totalizando 341.

Há dois anos, também, a PSP foi a entidade mais visada nas queixas, concentrando mais de metade das denúncias remetidas por Ministério Público e cidadãos.

A IGAI funciona na direta dependência do ministro da Administração Interna, que aprovou o relatório de 2012, e tem como missão «assegurar as funções de auditoria, inspeção e fiscalização de todas as entidades, serviços e organismos» tutelados pelo Ministério, numa síntese da Lusa.