A Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA) considerou este sábado inaceitável e «um ultraje à família militar» a alteração que o Governo pretende introduzir ao subsistema de saúde dos militares.

«O objetivo do diploma é colocar também os cônjuges a pagar o subsistema de saúde. Quem quiser aderir vai pagar um valor», disse à agência Lusa o presidente da AOFA, Pereira Cracel.

Para a AOFA, trata-se de «uma completa desconsideração» pelos militares: «O princípio que está aqui a ser colocado em causa é a saúde da família militar».

Em comunicado emitido na sexta-feira à noite, a AOFA afirmou ter sido convocada para uma reunião com a secretária de Estado da Defesa Nacional, Berta Cabral, na quinta-feira, para tomar conhecimento das alterações ao regime de acesso à ADM (Assistência na Doença aos Militares).

Os militares descontam todos os meses 3,5 por cento do ordenado para este subsistema, segundo o coronel.

Com a nova fórmula, afirmou, haverá esposas de militares que terão acesso a este sistema, porque podem pagar, e outras não.

«O ordenado de um general não é o mesmo de um praça» sublinhou, defendendo que estão em causa princípios de equidade e a «coesão da própria família militar».

A associação tem também recebido queixas devido a cartões de saúde de mulheres de militares que caducaram no final do ano e que a secretária de Estado terá prometido resolver.

«Disse que os serviços estavam a emitir credenciais, mas temos informação em contrário», afirmou.

«Há casos graves de pessoas com problemas oncológicos até, que têm de fazer tratamentos e se veem obrigadas a pagar as despesas na totalidade», frisou Pereira Cracel.

O subsistema foi criado para assegurar aos militares assistência na doença e às respetivas famílias «para que o militar na frente de combate não tenha essa preocupação», explicou.

Os militares já comunicaram a sua posição às chefias e pretendem desenvolver outras ações sobre esta matéria, indicou Pereira Cracel.

«Paulatinamente, o Governo vai degradando ou eliminando os direitos que deviam servir de contrapartida ao leque vastíssimo de restrições e deveres que nos são impostos», afirmou a associação no comunicado distribuído também junto dos associados.