Os diretores escolares criticaram hoje a "medida avulsa" do Governo em colocar militares das Forças Armadas a vigiar os recreios, lembrando que as escolas precisam é de assistentes operacionais com formação para lidar com os alunos.

O Conselho de Ministros aprovou, na passada quinta-feira, alterações a um diploma que permitem agora o recrutamento de elementos das Forças Armadas na reserva para fazer vigilância dentro das escolas.

Para a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa, esta é “uma medida avulsa, que não resolve o problema das escolas”.

Filinto Lima, vice-presidente da ANDAEP, diz que “o ambiente nos recreios das escolas é muito diferente dos ambientes a que os militares estão habituados além de que serão selecionados militares na reserva, ou seja, pessoas mais velhas que, naturalmente, terão menos apetência para lidar com os adolescentes”.


Além disso, lembra, a presença de militares nas escolas não responde aos pedidos feitos nos últimos anos pelos diretores, que gostariam que fosse aberto um concurso para contratar novos assistentes operacionais (os antigos contínuos).

"Esta é uma medida avulsa que nasceu do nada, porque os diretores nunca pediram nada disto. O que nós temos pedido são assistentes operacionais, que faltam nas escolas tanto em termos quantitativos como qualificativos”, critica.


Muitos dos funcionários que atualmente executam tarefas de vigilância, trabalham nos pavilhões, balneários, bibliotecas ou cantinas, são recrutados pelos centros de emprego.

“São pessoas que estão desempregadas e que, em muitos casos, nunca trabalharam numa escola. Há casos em que podem nem ter sensibilidade para estar numa escola. São provenientes de áreas muito distintas, podem vir da restauração ou serem cabeleireiras”, explica.

Quando o ano letivo termina, os contratos também terminam e não podem ser renovados, mesmo quando os diretores escolares gostam do seu trabalho.

Para os cofres do Estado, esta é uma opção mais barata, uma vez que além do subsídio de desemprego que já estavam a receber, ganham apenas mais uma bolsa e os subsídios de refeição e transporte que, segundo contas de Filinto Lima, rondam os 170 euros mensais.

No entanto, Filinto Lima lembra que “a segurança dos alunos passa também por ter funcionários em número suficiente e com formação adequada” e por isso acusa o Ministério das Finanças de “não ligar muito às escolas e achar que os funcionários não são importantes”.