Cerca de 60 pilotos operacionais da Força Aérea reúnem-se sábado para formalizar a criação de um grupo de trabalho próprio no âmbito da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, visando debater as condições remuneratórias e de trabalho.

A reunião vai decorrer num hotel em Lisboa e no final serão apresentadas «soluções e propostas» para dar resposta à insatisfação daqueles militares, que em abril passado deram um primeiro sinal de protesto com a adesão em bloco de 98 pilotos à Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA).

No sábado, deverá ser aprovada a criação de um «colégio» de pilotos da Força Aérea dentro da AOFA, uma figura prevista nos estatutos daquela associação e que ficará centrada na resolução dos problemas atuais que dizem afetar o trabalho operacional.

A degradação das condições de trabalho, as reduções salariais e de suplementos específicos por um lado, e o «desinvestimento na segurança e treino» das tripulações são os principais motivos de insatisfação, disse à Lusa, em abril, um dos pilotos, que pediu anonimato para não incorrer na violação do dever de sigilo.

«O que estamos a assistir é que há poucos pilotos qualificados, são esses que estão na linha da frente e em permanência e é-lhes retirada a possibilidade de ter uma vida minimamente estável, razoavelmente normal», disse por seu lado o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, Manuel Cracel, que deverá marcar presença no final do encontro.

Entre as medidas mais contestadas está, para além das reduções remuneratórias, a redução do suplemento de residência. Este suplemento era atribuído a quem residir a mais de 50 quilómetros do local de trabalho e passou, com o atual governo, passou a ser atribuído apenas aos militares que residam a mais de 100 quilómetros.

Outro motivo de contestação é o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais na administração pública, aplicável aos militares.

«Se um militar já passar meses fora de casa, se nas missões do dia a dia já cumpre 10 ou mais horas por dia, quando aparece uma missão em que não está envolvido, tem de estar na base para quê?», questionou na altura o militar.