O comandante da Esquadra 501 da Força Aérea afirmou, esta segunda-feira, que o programa de manutenção dos aviões Hércules C-130 está a ser adiado devido às restrições financeiras, havendo três aviões disponíveis em seis.

«Temos as grandes manutenções, efetuadas nas OGMA. Fruto das restrições orçamentais, essas manutenções de terceiro escalão não têm estado a decorrer de forma cíclica normal, tem-se prorrogado o máximo possível para fazer face às dificuldades», declarou o major Jorge Gonçalves.

O comandante da Esquadra 501 falava aos jornalistas no final de uma visita do ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, à Base Aérea n.º 6, no Montijo, durante a qual foi apresentada a missão portuguesa na República Centro Africana.

A Esquadra 501, criada em 1977, conta com seis C-130 para missões de transporte aéreo, busca e salvamento, mas só três estão disponíveis, disse o major Gonçalves, na apresentação da missão, perante o ministro da Defesa.

Questionado pelo ministro Aguiar-Branco, Jorge Gonçalves disse que «o normal seria ter quatro [aviões] disponíveis» e dois em manutenção.

Na apresentação, o militar sublinhou ainda a importância de garantir as condições de treino, em simulador e em exercícios, referindo que a atual conjuntura orçamental não tem permitido fazer mais exercícios.

«Os exercícios acabam por ser a lacuna. Não tem havido possibilidade», referiu.

Questionado pelos jornalistas, Jorge Gonçalves admitiu que, face às atuais restrições financeiras, «poderá ser difícil manter todos os pilotos da esquadra qualificados em todos os elementos de missão».

Perante Aguiar-Branco, Jorge Gonçalves disse que já tinha alertado que «a degradação das capacidades é muito lenta a recuperar», para além de dispendiosa.

Interrogado sobre as restrições financeiras, Aguiar-Branco disse que quer ter melhores condições e mais horas de treino, mas frisou que isso depende da melhoria das contas públicas.

Um avião C-130 e 47 militares da Força Aérea partem no final do mês de maio ou início de junho para uma missão na República Centro Africana, numa missão de «baixo risco».

«O risco é reduzido. Há um conflito interno, entre fações rivais, de grupos étnicos diferentes. Não há oposição a forças estrangeiras no terreno. Nós não nos vamos lá impor. O país pediu ajuda externa. Obviamente risco existe sempre, mas eu considero que é baixo risco», afirmou o major Gonçalves.

Os militares poderão ficar instalados no Gabão, próximo das instalações das forças francesas, mas o local ainda não está decidido.

De acordo com o ministro da Defesa, os militares da Força Aérea partem para uma primeira missão de reconhecimento «no início de maio», devendo a missão em concreto ter início no final do mês ou início de junho, com um custo de 2,5 milhões de euros.