Grande parte dos equipamentos do Serviço Nacional de Saúde “está fora do prazo de validade” e a precisar de substituição. A denúncia é feita pelo bastonário dos Médicos, que alerta que a verba de 160 milhões de euros para investimento é insuficiente. 

A Ordem está a fazer um levantamento da situação dos equipamentos no país. O retrato deverá estar pronto durante o primeiro trimestre do próximo ano, antecipou Miguel Guimarães, num encontro hoje com jornalistas.

Mesmo antes de ter essa “fotografia aproximada da realidade”, o bastonário sublinha que uma parte significativa dos equipamentos está a precisar de substituição ou de fazer manutenção obrigatória.

Não há nenhum hospital que não tenha problemas com equipamentos, às vezes são os mais insuspeitos, os maiores hospitais, que têm mais problemas”.

Um exemplo: o hospital de São João, “durante muitos anos considerado o melhor hospital português”, e que tendo “excelentes profissionais e uma capacidade de resposta invulgar”, teve o seu investimento em equipamentos “praticamente parado”, lamenotu. Mas tal como o São João, e segundo o bastonáiro, outros grandes hospitais vivem a mesma realidade.

O Orçamento do Estado para 2018 prevê 160 milhões de euros para investimento no SNS (incluindo equipamentos e edifícios). Não chega, avisa Miguel Guimarães.

Se se quiser equilibrar o SNS tem de se investir bem mais do que isso”.

Ainda quanto ao orçamento para a área da saúde, o representante dos médicos lamenta que Portugal vá continuar abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) quanto ao que dedica à área em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB).

Miguel Guimarães recordou que em 2016 o orçamento da saúde correspondia a 5,9% do PIB, valor que em 2017 e em 2018 baixará para 5,2%. Ora, a média da OCDE é de 6,5% do PIB.

“Continuamos com um valor muito abaixo”, notou o bastonário, considerando que este é o indicador que permite perceber a aposta na área da saúde em função das possibilidades económicas dos países.

A dívida aos fornecedores do SNS ultrapassa mil milhões de euros. O ministro da Saúde deu ontem a indicação, no Parlamento, que as dívidas estarão regularizadas até 31 de dezembro.