O comandante operacional nacional, José Manuel Moura, disse esta segunda-feiraque o distrito de Vila Real registou 356 incêndios em 12 dias e que o combate tem sido dificultado pelas condições meteorológicas adversas associadas ao «estado da floresta».

Nos últimos dias, Vila Real tem sido um dos distritos do país mais afetado pelos fogos. José Manuel Moura fez questão de vir hoje ao terreno «dar um sinal» ao dispositivo que tem «sido exposto a um esforço dantesco».

Esta segunda-feira, o incêndio que concentra as atenções é o de Valpaços, que entretanto se prolongou para o concelho de Murça, e onde combatem as chamas 189 operacionais, 52 viaturas e um helicóptero.

A lavrar desde a tarde de domingo, este fogo já consumiu uma vasta área florestal. Os trabalhos decorrem agora «favoravelmente», embora uma frente ainda esteja a causar «alguma preocupação».

Segundo José Manuel Moura, desde 15 de agosto, o distrito registou 356 ignições, muitas delas a «passar do ataque inicial para o ataque ampliado e a obrigar à mobilização de um conjunto de meios significativos».

Nas primeiras horas de algumas destas ocorrências, foram várias as queixas que se ouviram por parte de comandantes de bombeiros e autarcas locais relativamente à falta de meios.

«Se aconteceu alguma situação dessas é porque o número de incêndios, a dispersão de meios foi tal que não permitiu que alguns ataques iniciais fossem devidamente musculados», afirmou o comandante nacional.

No entanto, José Manuel Moura fez questão de refutar a «falta de meios».

O elevado número de ignições no distrito transmontano obrigou à vinda de vários grupos de reforço de outras zonas do país. Mas, para além do número de ignições, verificou-se ainda o prolongamento dos incêndios por vários dias.

José Manuel Moura considerou que o combate às chamas foi dificultado pela orografia dos terrenos, mas principalmente pelas «condições meteorológicas extremamente adversas».

Às temperaturas que ultrapassam os 30 graus, junta-se a baixa humidade e os ventos que chegaram a atingir os 30 e 40 quilómetros hora.

Depois, há ainda a acrescentar, segundo o responsável, «algum abandono da agricultura e o estado em que temos a nossa floresta».

«Tudo isto são variáveis que concorrem para depois termos cenários que se prolongam no tempo», salientou.

Para o comandante, não se revela «um exercício fácil» combater incêndios que atingem perímetros significativos e ainda conseguir combatentes para responder a novas ignições e, ao mesmo tempo, garantir a vigilância dos fogos que foram concluídos.

«Quando a prevenção, e seja ela qual for, se empenhar tanto quanto o combate, também nós passaremos despercebidos como eles. O combate não precisa de ser notícia, se funcionar tudo a montante, nós só aparecemos porque a montante qualquer coisa falhou», salientou ainda.

José Manuel Moura confirmou ainda que há uma resolução do Conselho de Ministros no sentido de o combate aos fogos ser reforçado com mais dois meios aéreos pesados, não sabendo, no entanto, quando estarão no terreno.