O Governo contabilizou mais 220 milhões de euros de prejuízos provocados pelos incêndios na região Centro, tendo em conta os fogos que deflagraram nos últimos meses, pelo que pediu a Bruxelas uma atualização do acionamento do Fundo Europeu de Solidariedade.

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, fonte do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (MPI) explicou que o pedido de atualização se baseia no facto de "os incêndios florestais terem continuado a devastar o território nacional, em especial a região Centro, nos meses que se seguiram" aos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, ocorridos em junho, estimando o Governo que a área ardida "tenha triplicado".

O ministro Pedro Marques, acrescentou a mesma fonte, enviou esta semana uma carta à Comissão Europeia a solicitar uma atualização do pedido enviado a 17 de julho, relativo aos sete municípios afetados por grandes fogos no mês anterior: Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Penela, Pampilhosa, Góis e Sertã.

Com esta atualização, outros municípios, ainda não divulgados, vão poder dispor deste apoio.

Na carta, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas estima que aos prejuízos inicialmente reportados [496 milhões de euros, sendo 193 de prejuízos diretos e 303 para medidas de prevenção e relançamento da economia] haja agora a acrescentar cerca de 220 milhões de euros, estimativa provisória", lê-se na resposta.

O total de prejuízos ascende, assim, a pelo menos 716 milhões de euros.

A lista final de municípios a incluir na candidatura, "assim como o detalhe dos prejuízos", dependem da avaliação que “ainda decorre no terreno e que está a ser realizada por vários departamentos governamentais", explicou a fonte.

Mal esse levantamento esteja concluído, será remetido pelo Governo à Comissão Europeia", acrescentou.

No final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, na qual foi aprovada uma resolução a alargar a mais 20 concelhos o recurso a outro fundo – o Fundo de Emergência Nacional -, o ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, revelou que Portugal apresentou uma alteração na sua candidatura em Bruxelas ao Fundo Europeu de Solidariedade, "alargando toda a região Centro à candidatura".

Eduardo Cabrita remeteu mais explicações para o Ministério do Planeamento e Infraestruturas, tutelado por Pedro Marques.

Relativamente ao Fundo de Emergência Municipal, o ministro Adjunto ressalvou que a decisão desta quinta-feira "complementa" as resoluções do Conselho de Ministros de 12 de julho, abarcando então os municípios em torno de Pedrógão Grande e estipula como critério a verificação de uma "área ardida igual ou superior a 4.500 hectares ou 10% da área do concelho".

Ficam agora também abrangidos para recorrer ao Fundo de Emergência Municipal mais 20 concelhos: Abrantes, Alijó, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Gavião, Guarda, Freixo de Espada à Cinta, Ferreira do Zêzere, Fundão, Mação, Mangualde, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova, Resende, Sardoal, Torre de Moncorvo, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão.

Os fogos de junho na região Centro fizeram 64 mortos e mais de 200 feridos.