O incêndio que lavra desde quinta-feira em Belver, no concelho de Gavião (Portalegre) entrou pelas 11:20 em fase de resolução, segundo a página de internet da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

Segundo a página, fase de rescaldo significa que o incêndio não tem perigo de propagação além do perímetro já atingido.

Em declarações à Lusa pelas 10:30, o presidente da câmara, José Pio tinha avançado que o fogo estava numa fase “mais controlada”.

O incêndio está numa fase mais controlada, ainda não está extinto mas encontra-se circunscrito. Nesta altura nós temos os meios aéreos necessários a fazer o combate”, disse.

Gavião é apenas um dos fogos que estavam a preocupar as autoridade e populações esta manhã. Acresce Mação (Santarém), ainda que a situação esteja mais calma.

O ponto de situação em relação aos fogos que lavram no país foi feito logo de manhã de hoje pela adjunta de operações da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, que adiantou que as previsões meteorológicas se mantêm desfavoráveis para os trabalhos de combate às chamas, sobretudo devido ao vento, e que durante a manhã de hoje a Proteção Civil vai reunir para decidir se se mantém o nível de alerta especial laranja, ou se haverá lugar a uma revisão.

Desde as 00:00 de hoje já deflagraram 21 incêndios, e estão neste momento [pelas 9:00] em curso cinco, com três ocorrências mais significativas a ser acompanhadas pelas autoridades: os fogos de Mação e Gavião, e um incêndio em Vieira do Minho, Braga, com uma frente ativa, mas que até ao momento não tem “pontos críticos identificados”, não levantando grandes preocupações.

Em Mação temos toda a área operacional dividida em diferentes setores. Nestes setores temos pequenas frentes ativas, duas delas com 200 metros e uma com 100 metros. Temos muitos pontos quentes para consolidar, um trabalho que vai ser garantidamente muito demorado, especialmente com recurso à maquinaria pesada e aos meios aéreos e terrestres”, disse Patrícia Gaspar, especificando que em Mação é na Herdade da Murteira e em Rio Frio que se localizam as frentes ativas.

A estrada nacional 244 permanece cortada entre Mação e Chão de Codes e entre Torre e Mação.

No incêndio do Gavião, a situação “é semelhante”, com um “teatro de operações estabilizado, sem situações críticas em curso ou ponto sensíveis identificados”, mas as previsões meteorológicas para a tarde de hoje, com temperaturas elevadas e vento, fazem com que os trabalhos de consolidação a realizar sejam “absolutamente fundamentais”.

O balanço mais atualizado do número de feridos regista 61 pessoas assistidas e 93 feridos, dos quais sete em estado grave.

Desde dia 11, quando deflagrou o grande incêndio de Abrantes, mais de 200 pessoas já foram retiradas de suas casas, não estando ainda apurado quantas já puderam regressar às suas habitações.

Em Ortiga, próxima de Belver, onde teve início o incêndio do Gavião, foi na quinta-feira necessário retirar algumas pessoas de um parque de campismo, adiantou Patrícia Gaspar.

Munícipio do Fundão pede estado de calamidade pública

O município do Fundão solicitou ao Governo que fosse decretado o estado de calamidade pública após o incêndio que atingiu aquela zona no “sentido de serem assegurados os meios e os recursos financeiros ao concelho”.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a autarquia diz ainda que, “face à dimensão do perímetro ardido e às condições meteorológicas que se vão registar nos próximos dias, a Comissão Municipal de Proteção Civil determinou a manutenção da Emergência Municipal”.

O Governo anunciou na quinta-feira que vai declarar estado de calamidade pública face à previsão do agravamento nos próximos dias do risco de incêndio, nos distritos do interior das regiões Centro e Norte e alguns concelhos do distrito de Beja e sotavento algarvio.

O comunicado daquela autarquia do distrito de Castelo Branco realça também que o “município do Fundão, num momento em que o estado do incêndio se encontra em fase de resolução, rescaldo, vigilância e levantamento de prejuízos, vem publicamente prestar a sua solidariedade a todas as vítimas, às famílias e às empresas afetadas pelos enormes prejuízos causados pelo incêndio”.

“A Câmara Municipal vem agradecer o imprescindível trabalho de proximidade e de auxílio levado a cabo pelas Juntas de Freguesia - em particular as mais diretamente afetadas - pelos bombeiros, por toda a estrutura de proteção civil, pelos cidadãos, pelas empresas e pelas centenas de voluntários que se disponibilizaram a ajudar neste período de emergência”.

Também a propósito deste incêndio, o TeatroAgosto, Festival Internacional de Teatro ao Ar Livre, manifesta a sua solidariedade com toda a região afetada pelo incêndio que consumiu nos últimos dias a Serra da Gardunha.

“Como forma de contribuir para a revitalização deste nosso património natural, a direção do Festival decidiu dedicar a noite de 23 de Agosto a uma ação de recolha de fundos destinados à reflorestação e revitalização da Gardunha. Nessa noite, a bilheteira do TeatroAgosto, deixará a cada um dos espetadores a decisão sobre o valor do seu contributo”.

A receita dessa noite solidária reverterá, mais tarde para iniciativas de reflorestação ou revitalização da Serra da Gardunha, a anunciar oportunamente.