A Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) afirmou, esta quarta-feira, na Assembleia da República que «falta trabalho de casa», nomeadamente a nível de logística, e mostrou preocupação por 16 mil bombeiros estarem na reserva.

No grupo parlamentar de trabalho para a Análise da Problemática dos Incêndios Florestais, o presidente da APBV, Rui Moreira da Silva, mostrou uma apresentação de imagens retiradas das redes sociais da internet para mostrar os apelos para alimentar os bombeiros durante o verão.

Como exemplo da necessidade de «trabalho de casa», o responsável referiu a antecipação de quais os restaurantes que devem fornecer as refeições.

«A relação com as autarquias muitas vezes é nula», disse aos deputados Rui Moreira da Silva.

A falta de visibilidade nos investimentos em equipamentos individuais foi notada pelo responsável, que defendeu que «quem faz os cadernos de encargos, deve fazer a compra e entregar aos corpos de bombeiros».

A legislação para a área dos voluntários foi caracterizada como «arcaica e ultrapassada», lembrando, por exemplo, que aos voluntários são exigidas 70 horas de formação, mais do que a operacionais.

Citando dados recentes, o responsável indicou que existem cerca de 30 mil bombeiros, dos quais 16 mil em reserva.

«São 16 mil homens e mulheres, que tiveram necessidade de emigrar ou que o seu trabalho não permitiu fazerem a formação, que muitas vezes é fora da sua área de residência», notou.

O presidente da associação também indicou que a lei permite mais horas de formação no início da carreira, do que nos postos de chefia.

O vice-presidente da associação, António Calinas, sublinhou faltar um estado-maior nos bombeiros e assinalou a única maneira de os bombeiros não morrerem no meio dos fogos: «não estarem lá». Por isso, defendeu no parlamento o combate indireto às chamas, com máquinas de arrasto e com fogo controlado, em vez de ir à «cabeça do fogo».

Para este responsável, é necessário aumentar a formação complementar para usar o combate indireto a um número suficiente de elementos por distrito para trabalharem no terreno que conhecem.