Duas frentes de fogo lavram descontroladas na Sertã na manhã desta segunda-feira, na sequência de um incêndio que decorre naquele município de Castelo Branco há cerca de 24 horas e que já provocou um morto e um ferido grave.

"Continua tudo muito complicado em vários pontos do concelho, com várias frentes de fogo por controlar e poucos meios para acorrer a tanta chama e a tanta aflição, sendo que temos um morto a lamentar na freguesia do Troviscal", disse à agência Lusa o responsável pela Proteção Civil Municipal de Sertã.

Rogério Fernandes disse à Lusa que o homem "foi encontrado já cadáver, dentro de casa", na localidade de Vale do Laço, Troviscal, localidade onde, também devido ao incêndio, registaram-se três feridos, um deles muito grave.

"O indivíduo que morreu carbonizado tinha algumas dificuldades psíquicas e tentou ficar em casa com um irmão, para tentar evitar as chamas. Acabou por ser encontrado já cadáver e o irmão com queimaduras graves", disse à Lusa, por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia de Troviscal, Manuel Figueiredo.

"Isto é o demónio à solta, há zonas onde as chamas continuam a avançar sem qualquer controlo, e a minha freguesia está praticamente reduzida a cinzas", lamentou o autarca, relativamente a uma localidade com 54 quilómetros quadrados e com 825 eleitores.

O fogo deflagrou pelas 12:00 de domingo na localidade de Ponte das Portelinhas, na freguesia de Ermida e Figueiredo, concelho da Sertã.

Segundo a página da Autoridade da Proteção Civil (ANPC), cerca da 11:00, o incêndio mantinha-se com duas frentes ativas e estava a ser combatido por 223 operacionais com o apoio de 71 viaturas.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram, pelo menos, 27 mortos e dezenas de feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.