O presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) disse, nesta terça-feira, que três dos cinco helicópteros Kamov estão operacionais para combater os incêndios florestais, sendo a recuperação dos outros dois “demorada e complexa”.

A fase Charlie de combate a incêndios florestais, que começou a 1 de julho, arrancou com um helicóptero pesado da frota do Estado, tendo outros dois Kamov integrado o dispositivo nos últimos dias.

Dos 49 meios aéreos previstos para a fase mais crítica em fogos, que termina a 30 de setembro, fazem parte do dispositivo de combate 47 desses meios, faltando dois Kamov.

Numa conferência de imprensa realizada na ANPC, para fazer o balanço do primeiro mês da fase Charlie, o presidente da Proteção Civil, major-general Francisco Grave Pereira, afirmou que os dois Kamov inoperacionais não vão integrar o dispositivo de combate a incêndios deste ano.

Francisco Grave Pereira adiantou que vai ser feita uma avaliação aos dois helicópteros, sublinhando que a recuperação vai “demorar e vai ser muito complexa”, devido ao estado em que se encontram, seja ao nível da manutenção ou da documentação.

O presidente da ANPC avançou que, na próxima semana, uma equipa da Rússia se deslocará a Portugal “para fazer uma análise exaustiva desses dois meios aéreos”.

Francisco Grave Pereira disse também que foi ponderada a possibilidade de alugar outros meios pesados para substituir os Kamov, mas foi descartada essa hipótese, ao ser feita uma ponderação entre preço, histórico do dispositivo a funcionar com os cinco helicópteros e comportamento de todos os meios envolvidos.

Na conferência de imprensa, o comandante operacional nacional, José Manuel Moura, afirmou que se tem conseguido dar, até agora, uma resposta operacional com os 47 meios aéreos.

Devido aos problemas dos helicópteros Kamov, detetados durante o processo de transferência para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, determinou, em junho, à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), a abertura de um inquérito.

Segundo a Proteção Civil, relativamente ao número de incêndios registado no mês de junho, 2015  é “o ano mais severo de há 16 anos”, superando já a época de fogos mais crítica do ano passado.