Mais de 3.800 operacionais estavam pelas 13:00 de hoje mobilizados para combater incêndios em todo o país, com 12 grandes fogos florestais em curso no continente português.

Da lista das 12 “ocorrências importantes” apontadas no ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o distrito de Aveiro concentrava o maior número de operacionais e destacava-se por ter dois dos maiores fogos – em Águeda (337 elementos de forças de segurança e socorro e 103 viaturas) e Anadia (331 operacionais e 98 veículos).

O incêndio de Águeda deflagrou já na segunda-feira de madrugada.

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No mesmo distrito, 306 operacionais, 97 viaturas e dois meios aéreos combatiam o incêndio que lavra em Janarde, no concelho de Arouca, que teve início na tarde de segunda-feira. Ainda em Arouca, mas em Castelo de Paiva, um outro fogo que teve  início na madrugada de quarta-feira mobilizava 42 operacionais e 20 viaturas.

No município de Viseu, sede de distrito, 170 elementos e 57 veículos estiveram mobilizados para um fogo que teve início da manhã de segunda-feira. Às 13:00 o incêndio estava já em fase de resolução.  Ainda no distrito de Viseu, um outro fogo estava a ser combatido por 68 operacionais, com 18 veículos, em Resende.

No distrito de Viana do Castelo, também muito afetado pelos incêndios há vários dias, há fogos nos concelhos de Arcos de Valdevez e Caminha estavam a ser combatidos por 292 operacionais, com o apoio de 97 veículos. O fogo em Arcos de Valdevez deflagrou já na segunda-feira de madrugada e o de Caminha teve início na quarta-feira.

Em Braga, um incêndio em Viera do Minho mobilizava 126 operacionais e 45 viaturas. O fogo que deflagrou na quarta-feira e se propagou a Fafe e Póvoa de Lanhoso continuaa com duas frentes ativas, tendo as chamas já destruído uma casa abandonada.

O comandante operacional Vítor Azevedo disse à Lusa que aquela habitação se situava em Agrela, Fafe, “no meio do monte” e se encontrava “completamente abandonada, cheia de silvas”. Segundo aquele responsável, que falava à Lusa cerca das 08:00, o vento forte tem sido a principal dificuldade do combate às chamas.

Também no distrito de Braga, mas em Vila Nova de Famalicão, um fogo mobilizava 61 operacionais, apoiados por 20 meios terrestres. 

No distrito de Vila Real, em Montalegre, 44 operacionais combatiam as chamas com 14 meios terrestres.

Às 7:00, no distrito de Leiria, no município de Castanheira de Pêra, as operações - que arrancaram na noite de segunda-feira - mobilizavam 190 elementos, apoiados por 63 meios terrestres. Às 10:49 o incêndio encontrava-se já em fase de conclusão.

Noite muito difícil devido ao vento

Em declarações à agência Lusa, o Adjunto Nacional de Operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Miguel Cruz, disse que a noite foi muito difícil para os operacionais devido ao vento forte conforme estava previsto.

Este vento manteve as coisas complicadas em alguns dos cenários que temos, em particular no distrito de Aveiro, no concelho de Arouca e de Águeda, e Castelo de Paiva e Anadia. Estes quatro incêndios são os mais complicados”, adiantou.

De acordo com Miguel Cruz, complicados estão também os incêndios em Vieira do Minho e Arcos de Valdevez, distrito de Braga, em Caminha, Viana do Castelo, e um em Viseu.

Durante a noite houve zonas onde o incêndio se aproximou de algumas habitações e portanto o esforço dos bombeiros e a estratégia foi sempre a de defender por completo as habitações. Isso foi conseguido. Não houve vítimas para nós é o mais importante”, salientou.

Em Anadia o incêndio levou à evacuação do Hotel do Buçaco.

Foi evacuado por medida de precaução. O hotel não foi afetado, nem a mata do Buçaco devido ao esforço grande por parte do dispositivo do incêndio de Anadia”, disse.

Contudo, a expectativa de Miguel Cruz para o dia de hoje é a de que a situação “melhore um pouco” devido à previsão de diminuição do vento.

“Continuamos a ter valores muito elevados das temperaturas e vento forte, mas temos esperança que com a diminuição do vento consigamos com os dispositivos no terreno resolver algumas situações”, disse.

Miguel Cruz lembrou também que está prevista para hoje de manhã a chegada de reforços de meios aéreos de Marrocos e Espanha (para ajudar no combate a incêndios junto à fronteira).

 

Madeira: fogo na Calheta ainda por dominar

O incêndio na freguesia da Calheta, ilha da Madeira, afeta neste momento zonas florestais e está a ser combatido por reforços que chegaram do Funchal e do continente, disse à Lusa o presidente da Câmara.

Estamos neste momento [cerca das 09:00] na freguesia dos Prazeres. O incêndio encontra-se agora numa fase muito melhor do que se encontrava ontem [quarta-feira] à noite. Neste momento é só um incêndio florestal e já não se encontram habitações em perigo”, disse à Lusa Carlos Teles, presidente da Câmara da Calheta.

O autarca sublinhou que o concelho recebeu nas últimas horas reforços da cidade do Funchal e uma equipa da GNR do continente.

“Numa situação destas todos os reforços são poucos mas, de qualquer das maneiras, os homens dos Açores (corporações de bombeiros das ilhas de S. Miguel e da Terceira) deram-nos ontem [quarta-feira] uma ajuda muito importante e hoje temos aqui estes 52 homens do continente que também são experientes e que nos vão ajudar bastante durante o dia”, referiu Carlos Teles.

A Calheta é o maior concelho da Região Autónoma da Madeira, constituído por oito freguesias, numa extensão de 116 quilómetros quadrados.

A zona foi afetada pelo fogo durante as últimas 24 horas mas ainda não é possível contabilizar os estragos, sobretudo o número de casas que foram atingidas pelas chamas.

Estamos agora fazer esse levantamento e só ao final do dia e que vamos ter esses números. Neste momento, não temos nenhum desalojado. Antes de ontem [quarta-feira] à noite chegamos a ter 64 mas entretanto foram regressando às suas casas e também tivemos 50 turistas que estavam instalados numa unidade hoteleira mas foram reencaminhados para outros hotéis no Funchal”, especificou o autarca.

Três pessoas morreram na terça-feira, no Funchal, na sequência de incêndios que deflagraram no concelho na segunda-feira.

O fogo provocou ainda cerca de mil desalojados, entre residentes e turistas, e muitas casas e um hotel foram destruídos pelo fogo.

Os prejuízos materiais são avultados, mas não estão ainda contabilizados.