A ministra da Administração Interna afirmou este sábado, em Santarém, que foi feito “um enorme esforço” para não haver redução de efetivos no combate aos fogos florestais, mantendo-se os meios de 2015, com uma antecipação no recurso a meios aéreos.

Constança Urbano de Sousa encerrou a última das sessões técnicas de Avaliação aos Incêndios Florestais de 2015, que juntou no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, corporações de todo o país.

“Os meios do DECIF (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais) vão-se manter ao nível do ano passado”, disse, afirmando não haver ainda certeza de que os dois helicópteros Kamov que estavam inoperacionais desde 2014 e que o Governo decidiu reparar (com um custo de 8,5 milhões de euros) “fiquem operacionais a tempo para esta época de fogos”.

Contudo, a ministra disse à Lusa que haverá uma antecipação em 15 dias (para 15 de junho) no recurso aos meios aéreos (dois aviões médios anfíbios), por ter sido possível, "no âmbito do contratualizado, antecipar sem qualquer custo adicional”.

Constança Urbano de Sousa respondeu a algumas das “preocupações” colocadas pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), afirmando que a lei do Orçamento do Estado irá resolver a questão da isenção do Imposto sobre Veículos para ambulâncias que transportam doentes e contempla a isenção das taxas moderadoras para os bombeiros voluntários, medida que considerou ser um incentivo mas, sobretudo, “uma questão de justiça”.

O presidente da LBP, Jaime Marta Soares, declarou a sua satisfação com a resolução neste Orçamento do Estado de algumas reivindicações antigas, como a isenção no pagamento de taxas moderadoras por parte dos bombeiros voluntários, esperando que seja também possível a contagem do tempo de serviço para a reforma.

Segundo disse à Lusa, a Liga espera agora que também os municípios mostrem “rapidez e abertura” para a resolução de alguns problemas, apontando como exemplo a criação do “cartão social do bombeiro”, que permitirá “coisas simples” como a utilização dos transportes urbanos, a diminuição dos custos em creches ou na utilização de equipamentos municipais como piscinas, bonificações IMI.

Jaime Marta Soares lamentou que a “herança muito complicada” dos Kamov tarde em ser resolvida e que não se vá ao “âmago da questão” para saber porque foram comprados, “quem os comprou, quem fez os relatórios, quem disse que era bom”, para “a culpa não morrer solteira”.

Marta Soares declarou-se convicto de que o dispositivo está preparado para a próxima época de fogos e sublinhou a “evolução favorável nos últimos anos”.

Para o presidente da LBP, Portugal é um país “sui generis”, tendo tido em 2015 “mais ignições que França e Espanha juntos”, sendo necessário estar “muito bem preparado” para enfrentar 400 a 500 incêndios num dia com um dispositivo pronto para responder a 250 e, “com grande esforço”, 300 incêndios/dia.

“Somos dos mais capazes na Europa e no mundo no combate aos fogos florestais”, afirmou.

Em 2015, durante a fase “Charlie” de combate a fogos florestais (de 01 de julho a 30 de setembro), estiveram operacionais 2.234 equipas das diferentes forças envolvidas, 9.721 operacionais e 2.050 veículos, além dos 236 postos de vigia da responsabilidade da GNR. Dos 49 meios aéreos, o dispositivo não contou com os três dos cinco helicópteros Kamov da frota do Estado que estão inoperacionais.