O número de mortos no fogo de Pedrógão Grande subiu para 24 mortos. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro, António Costa, depois de uma reunião com a Proteção Civil, às primeiras horas da madrugada deste domingo. 

As vítimas mortais são todas civis, que foram apanhados pelo fogo quando tentavam fugir às chamas. 

A primeira informação sobre vítimas mortais tinha sido avançada pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, no sábado à noite. Jorge Gomes precisava, na altura, que três das vítimas foram encontradas "na via pública, por inalação de fumos, e 16 dentro das viaturas que ficaram apanhados pelo fogo, na estrada que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pêra".

Quando atravessavam essa estrada, vários carros não conseguiram sair e as pessoas ficaram carbonizadas dentro dos seus carros", adiantou Jorge Gomes. 

Há ainda cerca de 20 feridos a registar, cinco dos quais bombeiros (quatro deles em estado grave). Dos 14 feridos civis, dez estão em estado grave.

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Jorge Gomes disse que este incêndio se propagou "de forma que não tem explicação nenhuma".

Há "localidades afetadas", mas ainda não foi possível determinar, com exatidão, os danos causados pelo incêndio, "porque não se consegue penetrar na floresta nem nos caminhos para as aldeias", acrescentou Jorge Gomes.

Declarado plano distrital de emergência

O secretário de Estado informou também que foi declarado o plano de emergência distrital.

Jorge Gomes referiu ainda que foi instalado um hospital do INEM em Avelar, concelho de Ansião, e a casa funerária de Pedrógão Grande foi aberta para receber “os corpos que foram encontrados”.

De acordo com Jorge Gomes, a primeira prioridade é “socorrer as pessoas”.

Também a ministra da Administração Interna defendeu que “o momento é de dor e de pesar” pelos mortos causados .

Em declarações aos jornalistas em Pedrógão Grande (Leiria), Constança Urbano de Sousa, questionada sobre as razões desta tragédia, salientou que “o momento é um momento de pesar e de concentrar todo o esforço no combate a este incêndio”

Quando isto terminar será feita uma avaliação sobre o que correu bem, o que não correu, sobre o que aconteceu”, afirmou Constança Urbano de Sousa.

Este incêndio passou para o concelho de Figueiró dos Vinhos, também no distrito de Leiria. 

Muitos populares foram obrigados a abandonar as suas casas, em zonas mais remotas de Pedrógão Grande.

Este incêndio, de acordo com a página da Proteção Civil, estava às 04:00 a obrigar à intervenção de 661 bombeiros, um meio aéreo e 215 viaturas.

O fogo começou nos Escalos Fundeiros, no norte do distrito, e já obrigou ao corte do Itinerário Complementar 8, bastante a sul daquela ignição.

Aldeias isoladas, sem eletricidade e sem comunicações

A ausência de eletricidade e de comunicações está a preocupar a população, que vê o vento forte a tornar-se adversário no combate às chamas.

A agência Lusa contactou presencialmente dois moradores da Atalaia Fundeira, naquele concelho, que se manifestaram apreensivos com o incêndio e explicaram que, “com o vento tão forte”, será complicado “dominar o fogo”.

Estou muito assustada e não me recordo de algum incêndio semelhante nos últimos 10 anos”, disse à Lusa Otília, de 68 anos, moradora em Atalaia Fundeira.

Às 19:30, em Pedrógão Grande, era praticamente de noite, tal o fumo que pairava pelo ar.

Temos muito medo que o fogo venha por aí abaixo e nos atinja”, disse também Palmira Coelho, antes de se refugiar em casa para proteger os seus bens.

Alguns populares foram obrigados a abandonar as suas casas em zonas mais remotas de Pedrógão Grande, disse fonte da Proteção Civil.

Marcelo já foi a Pedrógão Grande

Marcelo Rebelo de Sousa esteve já em Pedrógão Grande, onde se inteirou da situação.

Ainda antes de se deslocar para o terreno, o Presidente falou, esta tarde, ao telefone, com os autarcas de Góis e de Pedrógão Grande. Informado pelos autarcas de que havia idosos que se recusavam a abandonar a própria habitação, o Presidente da República tomou a iniciativa de contactar esses idosos para os convencer a sair da casa  ameaçada pelas chamas. 

O Itinerário Complementar 8 (IC8), entre o nó da zona industrial de Pedrógão Grande e o nó do Outão, está cortado ao trânsito desde as 19:00, disse fonte da GNR.