As chamas em Arouca chegaram aos passadiços do Paiva. Um troço da estrutura ardeu na manhã desta quinta-feira, como confirmou o presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, à Lusa. O autarca desvalorizou, no entanto, o sucedido tendo em conta a “tragédia” que todo o concelho enfrenta.

"Os passadiços também estão a arder. O fogo está aí a começar", disse à Lusa o autarca, sem conseguir precisar qual a extensão daquela estrutura em madeira que foi atingida pelo fogo.

José Artur Neves desvalorizou esta questão, afirmando que o fogo nos passadiços "não tem nenhum significado", tendo em conta "a tragédia que se abateu sobre Arouca".

"Não admito sequer que me apontem isso como mais importante nessa desgraça. Substituir 100, 200 ou 500 metros de passadiço não tem significado nenhum. Substituir uma floresta de pinheiros, carvalhos, sobreiros e outras árvores que demorou 30 anos a crescer é que é impossível", vincou o autarca.

Já na quarta-feira, a Câmara de Arouca procedeu à evacuação dos passadiços para prevenir eventuais complicações devido ao "risco moderado" da estrutura ser ameaçada pelo incêndio que começou há quase três dias, nas freguesias de Janarde e Covelo de Paivó, em Arouca.

Os passadiços estarão encerrados por tempo indeterminado até estarem reunidas condições para as visitas. Quem agendou reservas para o período entre 10 de agosto e 30 de setembro será contactado por email para um reagendamento do percurso, como informa a página do Facebook dos passadiços.

Em setembro de 2015, um incêndio destruiu um troço com cerca de 600 metros dos passadiços do Paiva, entre as praias fluviais do Vau e a de Espiunca, junto à ribeira de Canelas. O percurso de oito quilómetros ao longo das margens do rio Paiva reabriu ao público no passado mês de fevereiro, depois de ter sido alvo de obras de reabilitação, que custaram cerca de 130 mil euros.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), atualizada às 12:20, este incêndio está a ser combatido por 306 homens, 97 viaturas e dois meios aéreos pesados.

Aveiro, com seis incêndios no quadro das "ocorrências importantes" (com duração superior a três horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos), é o distrito que tem mais homens no combate às chamas, com mais de mil operacionais.