O presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, lamentou, esta sexta-feira, que os meios aéreos envolvidos no combate ao incêndio de Talhadas apenas tenham começado a operar às 08:00, quando «havia visibilidade muito mais cedo».

«Sem ser especialista em fogos, acho que não é adequado que os meios aéreos só tenham começado a trabalhar às 08:00, porque tivemos condições de visibilidade bastante mais cedo, a partir das 05:30 ou 06:00. Foi nessas alturas que o fogo esteve mais perto das povoações e que houve maior sobressalto», disse à Lusa.

O autarca afirmou a convicção de que a intervenção atempada dos meios aéreos «poderia ter ajudado a resolver há mais tempo a ameaça que pairava sobre algumas povoações e contribuído para que o incêndio não se prolongasse».

Gil Nadais falava à Lusa após ter feito uma viagem de reconhecimento no helicóptero da Proteção Civil, relatando ter visto «uma área bastante extensa queimada, bastantes focos ainda ativos, e uma frente com cerca de dois quilómetros, numa zona com poucas acessibilidades que se dirige a Lombada, no concelho de Águeda».

O presidente da Câmara de Águeda afirmou que todos os meios da autarquia estão à disposição das operações, «procurando responder a tudo o que é solicitado» e referiu a importância que está a ter o tanque de grande capacidade de armazenamento de água, recentemente construído pelo Município em Mutedo, para o reabastecimento do helicóptero.

«O problema deste incêndio é que é muito grande e teve várias frentes que se estenderam muito. Conseguiu-se combater aquelas que ameaçavam as casas e que já não estão em perigo, mas há muito trabalho para fazer e uma grande frente ainda a avançar com muita força», descreveu.

O incêndio teve início cerca das 03:00 em Doninhas, Talhadas, no concelho de Sever do Vouga, e pela força do vento de Leste rapidamente se propagou ao vizinho concelho de Águeda, onde chegou a ameaçar algumas casas nas aldeias de Macida e Moita.

Segundo a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) na internet, no combate às chamas estão envolvidos 202 homens, apoiados por 67 viaturas e três meios aéreos.

Permanecem ativas duas frentes, uma das quais foi controlada nas imediações da A25 para impedir que a autoestrada viesse a ser cortada e o comando de operações espera que à tarde a mudança do vento para Noroeste, ajude a extinguir o fogo, com o aumento da humidade, já que as condições climatéricas, nomeadamente o vento forte e as elevadas temperaturas, têm sido a maior dificuldade encontrada pelos bombeiros.

Entretanto, cerca das 10:00 deflagrou em Chã, Sever do Vouga, um novo incêndio, que está a ser combatido por 104 homens, apoiados por 13 viaturas e um helicóptero.