O Tribunal de Alenquer antecipou para esta segunda-feira a leitura do acórdão da mulher acusada pelo Ministério Público de ter matado os dois filhos menores.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a mulher terá aproveitado o facto de estar sozinha em casa com os dois filhos, no dia 19 de dezembro, para os fechar no quarto, deitá-los na cama e incendiar aquela divisão.

A acusação refere que terá ateado fogo a um sofá com um isqueiro, feito as malas e, antes de se pôr em fuga, deixado uma carta ao companheiro e pai das crianças, a responsabilizá-lo.

Depois, terá telefonado à sogra a dizer que «pegou fogo à casa e [que] os meninos morreram».

A familiar alertou de imediato a GNR e os bombeiros, vindo a confirmar-se as duas mortes.

Dias depois, foi detida pela Polícia Judiciária, após se entregar na GNR de Castanheira do Ribatejo, estando desde essa altura detida no Estabelecimento Prisional de Tires.

É também acusada de maus tratos por, em agosto, ter arrastado o filho mais velho pela mão, vindo este a cair várias vezes, a bater com a cabeça no poste e a sofrer ferimentos nos pés, por caminhar descalço.

A arguida está acusada de dois crimes de homicídio qualificado, um de incêndio, um de dano e outro de maus tratos, e incorre também na pena de expulsão do país, depois do julgamento.

Durante o julgamento, apesar de arrependida de ter cometido os crimes, a arguida disse não se arrepender de se ter vingado do marido, a quem acusou de não lhe dar atenção e de a ameaçar de que ficava com as crianças em caso de divórcio, por aquela estar em situação ilegal no país e desempregada.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu pena máxima de prisão.