A Federação Nacional da Educação (FNE) alertou o ministro da Educação para a necessidade de a reforma do ensino superior europeu prever, de forma destacada, o financiamento público das instituições e apoiar os estudantes mais carenciados.

A FNE enviou esta semana uma carta ao ministro da Educação, Nuno Crato, para sensibilizar a tutela para um conjunto de questões que quer ver refletidas na reforma dos sistemas educativos europeus do Ensino Superior, que está a ser discutida pelos 47 países que integram o Espaço Europeu de Ensino Superior (EUES).

No próximo mês, os ministros da educação do EUES vão definir orientações, devendo aprovar um comunicado conjunto, que tem estado em discussão.

Segundo a FNE, que tem participado nos encontros, a versão provisória desse documento não dá destaque suficiente a cinco pontos que considera essenciais e que espera «que fiquem registados de forma mais destacada no documento definitivo», contou à Lusa Joaquim Santos, membro do Secretariado Nacional da FNE.

A garantia de financiamento público do ensino superior é um dos pontos referidos por Joaquim Santos que lembra o caso português, onde «todos os anos, os reitores andam aflitos para garantir o financiamento necessário para o ensino e investigação».

A FNE entende ainda que é preciso garantir o acesso e apoiar os estudantes mais desfavorecidos: «O último relatório (da Eurydice) revelava que um em cada três alunos abandona o ensino antes de concluir o curso e esta situação tem muito a ver com dificuldades financeiras», disse Joaquim Santos, lembrando que «uns alunos entram e desistem e outros nem sequer chegam a entrar no ensino superior».

O acesso, a retenção, a empregabilidade e políticas de crescimento económico também por isso parte das prioridades apontadas pela FNE.

Criar condições propícias ao desenvolvimento da carreira dos professores universitários (professores e investigadores) e a promoção de um ensino centrado no aluno são os outros pontos referidos na carta enviada a Nuno Crato.

«A FNE considera de extrema importância que o ministro da Educação sublinhe nessa reunião a relevância destes pontos junto dos restantes ministros que tutelam o EUES e que desenvolva todos os esforços para que estes pontos-chave sejam incluídos no comunicado final, a fim de que sistemas de educação de topo mundial possam ser edificados e mantidos no EUES», refere a FNE.