O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) mantém o aviso de greve, agendada para 11 de outubro, e acusa o Governo de "empurrar" os profissionais para esta forma de luta.

O aviso de greve dos médicos mantém-se, porque o Ministério da Saúde não fez qualquer contraproposta aos sindicatos, a uma proposta feita em abril deste ano", afirmou o líder do SIM, Jorge Roque da Cunha, na assinatura de um acordo sobre carreiras médicas na Região Autónoma da Madeira.

Infelizmente, estamos a ser empurrados para a greve", lamentou.

O Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos assinaram esta sexta-feira com o Governo Regional da Madeira um novo Acordo Coletivo de Trabalho e as Normas Particulares sobre a Organização e Disciplina do Trabalho da Carreira Médica, após um ano de negociações.

As matérias que hoje assinámos com o Governo Regional é um dos itens que faz parte do nosso caderno reivindicativo, que tem a ver com a organização do trabalho médico", explicou Jorge Roque da Cunha, sublinhando que o acordo é "pioneiro" ao nível do Sistema Nacional de Saúde.

Na Região Autónoma da Madeira, os médicos passam, entre outras matérias, a ter tempos estabelecidos para o aperfeiçoamento científico e atualização, o apoio aos internos, o acompanhamento dos utentes e o apoio domiciliário, bem como a automatização dos descansos compensatórios.

Que a Madeira interceda

O secretário-geral do SIM aproveitou para pedir ao Governo Regional que intervenha junto do ministro da Saúde para o "ajudar" a desenvolver um "espirito de diálogo".

Por outro lado, Mário Jorge Neves, da Federação Nacional dos Médicos, considerou que o acordo com o executivo madeirense poderá constituir um "bom contributo" para a captação e fixação de mais médicos na Região Autónoma.

O SIM e a FNAM anunciaram um ciclo de greves em outubro e novembro, as de outubro por regiões (dia 11 no norte, 18 no centro, e 25 no sul) e uma nacional a 8 de novembro, com concentração de médicos “de bata” junto do Ministério da Saúde.

De uma lista com 25 reivindicações, destaca-se a diminuição do trabalho suplementar nas urgências de 200 para 150 horas anuais, turnos de urgência de 12 horas, em vez de 18, e listas de doentes mais pequenas, descendo dos atuais 1.900 para 1.550.