A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) apelou esta quarta-feira aos clínicos para aderirem à greve da função pública marcada para sexta-feira, embora admitindo que muitos médicos têm medo de represálias.

Numa conferência de imprensa em Lisboa, esta quarta-feira, os principais dirigentes da FNAM acusaram o Ministério da Saúde de hipocrisia negocial nos vários dossiers que deveria discutir com os sindicatos.

«Temos reuniões sobre os vários assuntos, mas não são verdadeiras reuniões de negociação», afirmou a presidente da FNAM, Maria Merlinde, acusando o Ministério de prepotência.

A Federação aludiu ainda ao que considera serem ilegalidades na avaliação de desempenho dos profissionais e na contratação de médicos, criticando igualmente os processos que têm levado à recondução dos dirigentes na área da saúde.

«Apelamos a que os médicos se manifestem aderindo à greve de sexta-feira», disse Maria Merlinde, estimando uma «grande adesão».

Contudo, a presidente da FNAM refere um clima de medo nalgumas instituições de saúde, que leva a que alguns profissionais receiem represálias por aderirem às paralisações.

A Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) emitiu um pré-aviso de greve nacional para dia 13 de março, sexta-feira, data para a qual está marcada uma paralisação da Frente Comum e do Sindicato dos Quadros Técnicos.

A FESAP justificou a adesão à greve com a necessidade «de travar a ofensiva do Governo contra o Estado Social» e de «levar o executivo a repor todos os direitos retirados aos trabalhadores nos últimos anos».

Sobre as negociações com o Ministério da Saúde sobre diversos assuntos ligados aos médicos, a FNAM classifica como grave o que tem acontecido nas reuniões negociais.

«Trata-se de uma não negociação», afirmou a Maria Merlinde, dando o exemplo de reuniões sobre diplomas como o do internato médico ou da reorganização das unidades de saúde familiar.

Mário Jorge Neves, vice-presidente da FNAM, classificou mesmo como escandalosa a atitude do Ministério: «Nunca houve nenhuma equipa ministerial que chegasse a estes contornos escandalosos de falta de negociação, de desonestidade politica na negociação e na elaboração de um conjunto de diplomas que o que visa é destruir o Serviço Nacional de Saúde, destruir a carreira médica e colocar o setor da saúde como um qualquer centro comercial».

A FNAM critica ainda a forma como tem decorrido o processo de avaliação de desempenho na área da saúde, considerando que as chefias têm boicotado o sistema de avaliação negociado com os sindicatos e que pretendeu limitar a decisão arbitrária das administrações.

Segundo os sindicalistas, tem-se assistido também a ilegalidades nas eleições dos elementos das equipas de avaliação, com a «cumplicidade política» do ministro da Saúde.