A Associação de Promoção ao Investimento Florestal criticou hoje a ineficácia das políticas de combate aos incêndios florestais e questionou o Governo sobre se vai ficar tudo na mesma, depois do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, fazendo 57 mortos.

A associação, designada Acréscimo, lamentou as vítimas do incêndio, que continua a mobiliza centenas de operacionais no concelho, em Figueiró dos Vinhos e em Castanheira de Pera, e manifestou solidariedade para com os bombeiros, mas alertou que esta já era uma tragédia expectável, já que “parte significativa do território está convertido numa armadilha, outra parte está a caminho do deserto”.

“No país do faz de conta, o Governo definiu como limite a inexistência de vítimas humanas dos incêndios. Já não se trata de proteger as florestas, nem sequer o património ou os animais. Infelizmente, falhou! A probabilidade de continuar a falhar persiste dramaticamente elevada”, criticou, num comunicado enviado às redações.

Na mesma nota, a Acréscimo acusa o Governo de “desestabilizar os bombeiros com argumentações inconsistentes e estratégias de última hora” em vésperas de época de incêndios, depois de ter anunciado ter “preparada toda a estrutura de combate aos incêndios”.

A Lei de Bases da Política Florestal de 1996 foi também visada pela associação, que contestou o facto de continuar “na gaveta” apesar de ter sido aprovada por unanimidade no Parlamento, com “amplo consenso na sociedade”.

O organismo acusou ainda o Governo de olhar a floresta “em função dos interesses que representa ou tutela”, insistindo em “criar grupos interministeriais, conselhos, comissões, em definir planos e redefinir planos”.

“No último quarto de século, o país tem uma taxa de desflorestação anual de 10 mil hectares, o equivalente à área da cidade de Lisboa”, lembrou a associação para o investimento florestal.

A continuação da plantação de eucaliptos pelo país, a falta de investimento financeiro no apoio às florestas – apesar do anuncio de milhões de euros disponíveis para o efeito – e o fazer depender de “consensos” a aprovação de uma reforma que atenue os riscos associados às florestas são outras das criticas feitas por este grupo.

“Vai tudo ficar na mesma? Até quantas mais vítimas humanas? Até quanto mais património e território destruídos? Vai-se continuar a medir as florestas apenas pelo peso nas exportações, a que preço?”, questiona.

Um balanço do incêndio feito pelas 10:00 pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, dá conta de 57 mortos e 59 feridos.

O fogo deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e alastrou-se aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações ou deixando-as isoladas.