O presidente da Câmara de Lisboa recusou a ideia de que o projeto da autarquia para a Segunda Circular a transforme “numa floresta”, assegurando que a iniciativa visa melhorar a mobilidade naquela via através do aumento da fluidez do trânsito.

“Estão previstas 570 árvores em sete quilómetros [só no separador central], não são 8.000, não é uma floresta na Segunda Circular. É que […] houve críticas como se tivéssemos transformado a Segunda Circular numa floresta na qual os carros iriam passear”, declarou Fernando Medina, que falava na Assembleia Municipal de Lisboa, nesta terça-feira.

Até à próxima sexta-feira está em consulta pública no site da Câmara o projeto da maioria socialista no executivo para a Segunda Circular, que envolve a implantação de um separador central maior e arborizado e a plantação de 7.500 árvores na envolvente.

O plano visa diminuir o tráfego de atravessamento através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à A1 (autoestrada), encaminhando o trânsito para a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa).

O projeto - avaliado em 10 milhões de euros - prevê também a redução da largura das vias (onde ainda não existe), a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem, a renovação da iluminação pública e sinalética e a redução da velocidade, de 80 para 60 quilómetros/hora.

Falando na sessão, Fernando Medina referiu que as críticas se centram em “aspetos que não constam do projeto”, como a possível implicação das árvores na circulação, e assegurou que o grosso dos exemplares será plantado “sobre as áreas expectantes da Segunda Circular que nem sequer incidem diretamente sobre a via”.

De acordo com o responsável, outra das críticas refere-se à redução da velocidade. Porém, “para surpresa dos críticos”, a “velocidade média à hora de ponta na Segunda Circular vai aumentar porque vão diminuir os congestionamentos, os pontos de estrangulamentos e os limites extremos de velocidade que os carros podem praticar […] e, por isso, haverá maior fluidez de trânsito”.

Minutos antes, o deputado municipal social-democrata Carlos Barbosa, que também é presidente do Automóvel Club de Portugal, referiu que “esta obra não afeta apenas a cidade de Lisboa, mas toda a área metropolitana”, pelo que questionou se já foram estabelecidos contactos com municípios como Loures e Sintra.

“É um projeto que vai embelezar a zona, mas não vai resolver o problema da mobilidade”, observou.

Na sua última intervenção antes de suspender o mandato, o deputado independente (eleito nas listas do PS) Fernando Nunes da Silva justificou a sua saída anunciada em novembro com a “alteração da estratégia da política de mobilidade”, com a qual não concorda.

O também ex-vereador da Mobilidade (sob a liderança camarária do socialista António Costa) admitiu “reconsiderar” a suspensão, após o limite máximo de 365 dias, caso “as condições” se alterem.

Sobre o projeto, Nunes da Silva afirmou que “é um disparate” impor o limite de velocidade de 60 quilómetros/hora para quem circula, à meia-noite, entre o aeroporto e a Buraca (Amadora).

Em defesa da autarquia, João Pinheiro (PS) vincou que urge inverter a situação desta via, que é “geradora de acidentes”.

Em resposta, Carlos Barbosa indicou que na CRIL e no Eixo Norte-Sul, para onde a Câmara quer desviar o trânsito, “o número de mortos é o dobro” da Segunda Circular.