Mais de 270 pessoas morreram, desde 2013, devido a acidentes com veículos agrícolas, indicam dados da Guarda Nacional Republicana, a que agência Lusa teve acesso.

Segundo os dados, os acidentes com máquinas agrícolas e tratores provocaram 78 mortos, em 2013, número que subiu para 80, em 2014, e baixou para 63, em 2015.

Este ano, a GNR registou, até 6 de setembro, 82 acidentes envolvendo veículos agrícolas, que provocaram 52 mortos e 27 feridos graves.

Coimbra e Viseu são os distritos com mais mortes este ano (sete em cada um), seguido de Lisboa, Castelo Branco e Bragança (cinco), Leiria (quatro) e Braga, Santarém e Vila Real (três em cada um).

Os dados mostram ainda que a maioria dos acidentes acontece em terrenos agrícolas.

Dos 78 acidentes registados em 2013, 52 ocorreram em propriedades agrícolas e 26 na estrada, enquanto os 80 que aconteceram em 2014, 55 foram em terrenos e 25, nas vias.

Dos 63 desastres verificados em 2015, 42 foram em terrenos agrícolas e 21 em estradas.

 

Governo vai intensificar fiscalização aos condutores

Os condutores sem licença para conduzir veículos agrícolas vão ser obrigados a frequentar ações de formação sobre segurança, passando também a ser alvo de uma maior fiscalização, nomeadamente aos cintos de segurança e transporte de passageiros.

Estas são duas das medidas que o Governo vai adotar para reduzir os níveis de sinistralidade com veículos agrícolas, que resultaram de um grupo de trabalho criado em junho, e que identificou também os principais fatores de risco.

Os ministérios da Administração Interna e da Agricultura e Desenvolvimento Rural vão também criar, no início de 2017, uma plataforma comum de registo de informação relativa a acidentes com tratores e máquinas agrícolas, com o objetivo de identificar os fatores e consequências ao nível da mortalidade e incapacidades.

Outras das medidas que o Governo vai adotar passa pela realização, no primeiro semestre de 2017, de um controlo efetivo de máquinas e tratores no mercado de segunda mão, em especial aos veículos importados e não homologados em Portugal, através de regulamentação do processo de atribuição de matrícula.

No âmbito destas alterações vai ser intensificada a fiscalização sobre os condutores dos veículos agrícolas de uma forma progressiva, no que respeita ao arco de proteção, ao cinto de segurança, ao avisador luminoso e ao transporte de passageiros nos tratores agrícolas, além de ser criado um regime sancionatório associado à não utilização de sistemas de retenção e à imposição de montagem de avisador luminoso especial de cor amarela.

O Governo vai igualmente estudar a viabilidade de realização de inspeções obrigatórias aos tratores agrícolas, com recurso a Centros de Inspeção Automóvel.

Para combater a sinistralidade, o Governo vai ainda lançar uma estratégia de comunicação e dinamização de campanhas de educação e sensibilização sobre segurança em tratores agrícolas.

Os ministérios da Administração Interna e da Agricultura e Desenvolvimento Rural decidiram avançar com estas medidas, tendo em conta os problemas identificados, designadamente a inexistência do uso do arco de proteção ou cabina de proteção, incorreta utilização do aro de proteção e do cinto segurança.

Excesso de velocidade e perda de controlo do veículo, mau manuseamento, por falta de formação adequada dos operadores dos veículos agrícolas, e parque automóvel envelhecido, sem os necessários equipamentos de segurança, são outros fatores de risco identificados.