O Vintage Festival começou quarta-feira - 8 de outubro - na FIL, em Lisboa, e termina no próximo domingo - dia 12. No entanto, quem por lá passou parece ter ficado desapontado. Afinal, nem tudo o parece ser vintage o é na realidade: pode não passar de um peça de antiguidade. 

«A feira estava muito fraca e com poucos stands», confessou ao tvi24.pt, Agostinho Carnapete, de 61 anos, um colecionador de máquinas de calcular. «Tinham mais antiguidades do que vintage», acrescentou. 

Esta é apenas a segunda edição do festival. O ano passado participaram apenas 15 empresas e este ano o número aumentou para mais do que o dobro.  «Há empresas puristas e há outras que fazem um apelo mais ligeiro ao conceito. Aqui na FIL temos de fazer eventos para todas as pessoas e para todas as características», explicou Jorge Oliveira, diretor de feiras da FIL, que está satisfeito com o evento. «É  uma área nova e, tal como todas as áreas novas, carece de amadurecimento. O vintage está a crescer muito, mas precisa de amadurecer», acrescentou.   

Afinal o que é o vintage?

Para muitos, o vintage é uma recuperação de estilos das décadas de 1920 a 1960, mas a proprietária da Troc’Arte explicou ao tvi24.pt que «vintage vem da palavra vindima em francês, ou seja, significa a colheita daquele ano, daquela época». Portanto, a palavra serve para definir um objeto de um estilo pertencente a outra época.

Para se diferenciar o que é vintage e o que é antiguidade é preciso ter-se em conta o tempo de existência, pois o primeiro caso é qualquer peça que tenha mais de 20 anos e menos de 100. A partir daí, a peça já é considerada uma antiguidade.

Será este um festival dedicado ao vintage?

A maioria dos expositores considerou que o festival não honrava o tema, muitos disseram ao tvi24.pt que se viam mais antiguidades ou artigos recuperados do que verdadeiras peças vintage.

«A ideia do vintage está muito mal interpretada, há muita imitação e vintage, mesmo vintage, só vi em mais um ou dois stands. Há muita reciclagem e recuperação, isso sim» confessa Isabel Lechener, proprietária da Troc’Arte.

Isabel não é apenas uma apreciadora do vintage, pois gosta da «ideia de não deitar fora, de recuperar as coisas e da preocupação ecológica inerente». Tanto que entende que a existência do Vintage Festival faz sentido porque assim recicla-se e, além disso, existem compradores para isso.

«O vintage está muito reduzido», considerou, por outro lado, Miguel Brito, do Volkwagen AR Clube. Miguel já foi a várias feiras vintage e revelou que as pessoas que costuma encontrar não se encontravam neste festival, sendo talvez uma razão para não ser o que estava à espera.

O impulsionador do clube de VW antigos acredita que talvez uma melhor divulgação possa ajudar. No entanto, Miguel considera que o facto de o Vintage Festival fazer parte de outra feira (SaIão Imobiliário de Portugal) é um aspeto positivo, pois «as pessoas do imobiliário nunca viriam a uma feira destas».

«Está um bocado misturado, tem pouco vintage», concordou também Jorge Santos, proprietário de uma loja de brinquedos antigos. Jorge sempre gostou de coisas antigas e iniciou-se, por acaso, no mundo dos brinquedos há dois anos.

O proprietário da Toy Deparment explicou que vende brinquedos com 60 ou 70 anos e, precisamente por isso, não são direcionados para as crianças. Os clientes são pessoas que em tempos brincaram com aquelas coisas e por isso «traz-lhes recordações e faz as pessoas sentirem-se novamente crianças», explicou.

O gosto pelo vintage

Quando questionado sobre o porquê deste crescimento do interesse pelo vintage, Agostinho Carnapete, respondeu: «Todos nós estamos a sentir uma certa saudade pelo passado».

Anabela, uma das proprietárias do Mercadinho do Vintage, entende que esta moda existe por as pessoas quererem coisas diferentes. «Em vez de se comprar um móvel no IKEA, que toda a gente tem, tem-se uma peça original e com história», conta a auxiliar de educação, sendo essa a sua atividade principal.

O Vintage Festival realiza-se em simultâneo com o Lisboa Design Show, a Intercasa Concept e o Salão Imobiliário de Portugal, partilhando o pavilhão três com este último.

As empresas presentes são dos setores da moda, música, decoração, automóveis, motas, lembranças e utensílios domésticos. Existindo também uma parte destinada à gastronomia.