O vice-presidente da Comunidade Portuária da Figueira da Foz, Paulo Mariano, disse este sábado que existiram "vários erros" nas operações de resgate do arrastão naufragado à entrada do porto local, criticando ainda a existência de um único rebocador.

"Nós, ao fim destes dias todos, temos constatado, e parece que isso é opinião comum, que tem havido aqui vários erros e várias fragilidades, com falta de equipamento, no início para tentar apoiar os náufragos e, depois, para remoção dos próprios náufragos e [mais tarde] para tentar viabilizar novamente o porto, tanto de pesca, como de recreio como o comercial", disse aos jornalistas Paulo Mariano.


O dirigente da entidade que reúne, entre outros, representantes de operadores e empresas clientes do porto da Figueira da Foz, criticou, nomeadamente, a operação de remoção de artes de pesca e de parte da ré do navio naufragado, que correu mal e deixou redes e outros objetos no canal de acesso, impossibilitando a reabertura da barra à navegação.

"Fizeram aquela operação de reboque de redes e de uma peça da embarcação naufragada, quando poderiam muito bem aguardar que se fizesse a movimentação do porto comercial [onde quatro navios aguardam, desde terça-feira, para sair]. Não o fizeram e depois, ainda por cima, por azar, fizeram-na mal e deixaram que ficassem no canal vários objetos e várias peças de rede", explicou.

Frisou que, além dos quatro navios que permanecem "bloqueados" no interior da infraestrutura portuária, outros cinco estão ao largo à espera de entrar no porto "e vários já rumaram a outros portos", provocando prejuízos que ascendem a cerca de 100 mil euros por dia.

Na sequência do naufrágio, Paulo Mariano diz que o porto da Figueira da Foz se deparou com várias fragilidades, nomeadamente a existência de um único rebocador, que tem estado adstrito às operações de remoção da embarcação.

Hoje, de acordo com este responsável, os pilotos chegaram a dar indicação aos navios cargueiros para ligarem os motores, pela possibilidade de saírem do porto, mas a inexistência de outro reboque abortou a iniciativa.

"Nós devíamos ter sempre dois reboques e só temos um reboque. Ainda por cima, todos os tripulantes desse reboque vivem a 60 ou 70 quilómetros do porto da Figueira da Foz, isso é inadmissível", sustentou.

Paulo Mariano diz que os elementos da comunidade portuária têm estado "serenos e sempre solidários" com os náufragos que morreram na Figueira da Foz e que as questões relacionadas com a segurança e operacionalidade do porto também afetam a parte comercial.

"Mas está na altura de dizer 'basta' e este naufrágio foi a gota de água que aconteceu no porto da Figueira".

A barra do Porto da Figueira da Foz está fechada a toda a navegação há quatro dias, desde as 19:30 de terça-feira.

Entretanto, fonte da Procuradoria Geral da República confirmou à agência Lusa que o Ministério Público abriu um inquérito, que se encontra em fase de investigação, à alegada demora dos meios de socorro à zona do naufrágio.