O vice-presidente da Comunidade Portuária da Figueira da Foz acusou esta sexta-feira a Autoridade Marítima de "incompetência", responsabilizando-a por a barra do porto comercial continuar fechada três dias após o naufrágio.

"Há uma enorme incompetência na forma como tudo isto está a ser tratado. Quem manda é a Autoridade Marítima, é à Marinha que termos de perguntar o porquê de não ter a barra a funcionar", disse Paulo Mariano à agência Lusa.

Os operadores, armadores e empresas clientes do porto da Figueira da Foz, assim como a administração portuária, esperavam que a barra pudesse reabrir a meio da tarde de hoje, após a remoção do arrastão naufragado para 400 metros para o interior do rio, mas uma operação falhada de retirada das artes de pesca e de uma parte da ré da embarcação "espalhou" redes e detritos ao longo do canal de navegação, explicou.

"E o problema, agora, é que não sabem onde é que estão [os detritos]. Foram pouco profissionais na forma como lidaram com a situação e a barra continua fechada com enormes prejuízos", frisou Paulo Mariano.

A hipótese de reabrir a barra, depois de uma aferição que envolveu uma embarcação dos pilotos do porto comercial, passava por fazer sair e entrar os navios, com precauções especiais, mantendo as redes do arrastão no local onde estavam no rio. No entanto, fontes portuárias contaram que a Autoridade Marítima optou por decidir, primeiro, pela remoção das artes de pesca - tarefa a cargo da empresa de salvação marítima contratada pelo armador.

A agência Lusa questionou o porta-voz da Autoridade Marítima Nacional sobre as críticas da comunidade portuária e sobre quem deu a ordem da retirada das artes de pesca e da parte da ré do arrastão naufragado, mas Nuno Leitão recusou comentar a questão.

"A autoridade Marítima está é preocupada em recuperar os dois corpos que estão desaparecidos. O resto, para nós, são 'fait divers' e não nos pronunciamos sobre isso", afirmou.

A vice-presidente da comunidade portuária lembrou que a cada dia que passa com a barra fechada, o porto comercial acumula prejuízos diretos da ordem dos 100 mil euros e manifestou-se "muito preocupado" de que a barra possa estar fechada mais dois dias, com a previsão de agravamento das condições climatéricas e do estado do mar.

Entretanto, fonte portuária disse que os trabalhos de desimpedimento do canal de navegação vão continuar esta noite, com o auxílio, na manhã de sábado, de uma embarcação do Instituto Hidrográfico equipada com um sonar lateral.