A Autoridade Marítima Nacional (AMN) reiterou esta sexta-feira que as decisões tomadas na sequência do naufrágio da embarcação Olívia Ribau, na Figueira da Foz, “foram inequivocamente as mais adequadas face a todos os fatores presentes”.

“Neste caso, em particular, não existe relação entre as questões relacionadas com as embarcações salva-vidas e o tempo e forma de resgate efetuado”, refere um esclarecimento da Marinha e AMN, divulgado na Internet.

O esclarecimento surge um dia depois das críticas do presidente da Câmara da Figueira da Foz, João Ataíde, que considerou terem falhado as medidas de prevenção no naufrágio da embarcação, que provocou três mortos e dois desaparecidos, dado a estação salva-vidas fechar às 18:00 e uma embarcação de socorro estar avariada.

No documento, a AMN sustenta que “a estação salva-vidas da Figueira da Foz dispõe de duas embarcações de socorro, sendo que uma delas se encontra em período de manutenção”.

“A segunda embarcação tipo semirrígida é a mais adequada para o cenário em causa face à sua capacidade de manobra, potência e velocidade”, refere, garantindo que esta “esteve sempre disponível”.

A AMN sublinha que “a opção da não utilização de um meio propulsionado com hélices, numa situação de ondulação extremamente forte, junto ao molhe exterior do porto, com artes de pesca, redes e cabos na água, e ainda com visibilidade reduzida, é a mais racional, lógica e tecnicamente adequada às circunstâncias”.

Aquelas entidades adiantam que, “após qualquer operação de socorro, é procedimento interno realizar uma avaliação com o objetivo de identificar lições aprendidas e/ou apurar possíveis responsabilidades”, garantindo que o mesmo será feito nesta situação, mas “não se poderá depreender por isso que existe por parte dos responsáveis” suspeitas de qualquer conduta incorreta.

Lamentando as mortes ocorridas, Marinha e AMN reafirmam a necessidade da “implementação de uma cultura de segurança, que aumente as probabilidades de sucesso em emergências desta natureza”.

O esclarecimento elenca ainda exemplos negativos da falta desta cultura e “recorrentes neste tipo de acidentes no mar”, exemplificando com a “não utilização de coletes pelos tripulantes em momentos de risco elevado”, o que “diminui imenso as probabilidades de sobrevivência na água” e não dá “tempo para que o resgate se efetue”.

Por outro lado, aponta a entrada “numa barra condicionada por condições de mar adversas” com o material “não arrumado, preso e devidamente acondicionado”, o que provoca, além de maior instabilidade, a libertação destes materiais à volta da embarcação quando esta se vira ou afunda, “impossibilitando, muitas vezes, a chegada do socorro por via marítima em segurança”.

A isto acresce, ainda, “a decisão de operar em situações limite de alto risco, em oposição a esperar melhores condições”, o que sido igualmente recorrente, referem as autoridades.