As operações de busca, pelo sétimo e último pescador que continua desaparecido, foram este domingo retomadas às 09:00, mas logo depois suspensas. Esta foi mais uma tentativa frustrada devido às condições marítimas adversas e à posição em que se encontra a embarcação.
 
As operações centram-se agora na colocação do sonar do Instituto Hidrográfico da Marinha que voltou a rastrear a zona onde o arrastão naufragou, de modo a identificar um volume que ontem suscitou dúvidas às equipas.
 
Estes objetos não identificados impossibilitam, por enquanto, a reabertura da barra da Figueira da Foz. Há quatro navios bloqueados no porto comercial desde terça-feira.
 
Os mergulhadores esperam pela praia-mar para fazerem uma nova tentativa de entrada no arrastão, onde se presume que esteja o corpo do pescador.
 
As buscas prosseguem por terra.

No entanto, e apesar de todos os esforços, a comunidade portuária reafirma ter havido erros no resgate. O vice-presidente da Comunidade Portuária da Figueira da Foz, Paulo Mariano, disse no sábado que existiram "vários erros" nas operações de resgate do arrastão naufragado à entrada do porto local, criticando ainda a existência de um único rebocador.

"Nós, ao fim destes dias todos, temos constatado, e parece que isso é opinião comum, que tem havido aqui vários erros e várias fragilidades, com falta de equipamento, no início para tentar apoiar os náufragos e, depois, para remoção dos próprios náufragos e [mais tarde] para tentar viabilizar novamente o porto, tanto de pesca, como de recreio como o comercial", disse aos jornalistas Paulo Mariano.

O dirigente da entidade que reúne, entre outros, representantes de operadores e empresas clientes do porto da Figueira da Foz, criticou, nomeadamente, a operação de remoção de artes de pesca e de parte da ré do navio naufragado, que correu mal e deixou redes e outros objetos no canal de acesso, impossibilitando a reabertura da barra à navegação.

"Fizeram aquela operação de reboque de redes e de uma peça da embarcação naufragada, quando poderiam muito bem aguardar que se fizesse a movimentação do porto comercial [onde quatro navios aguardam, desde terça-feira, para sair]. Não o fizeram e depois, ainda por cima, por azar, fizeram-na mal e deixaram que ficassem no canal vários objetos e várias peças de rede", explicou.

Frisou que, além dos quatro navios que permanecem "bloqueados" no interior da infraestrutura portuária, outros cinco estão ao largo à espera de entrar no porto "e vários já rumaram a outros portos", provocando prejuízos que ascendem a cerca de 100 mil euros por dia.

Na sequência do naufrágio, Paulo Mariano diz que o porto da Figueira da Foz se deparou com várias fragilidades, nomeadamente a existência de um único rebocador, que tem estado adstrito às operações de remoção da embarcação.