A Associação de Festas de São João, em Braga, e a VianaFestas, estrutura que promove as festividades da Agonia em Viana do Castelo, defendem a classificação da romaria minhota como património imaterial da Unesco.

O desejo foi expresso esta sexta-feira à agência Lusa pelo presidente da Associação de Festas do São João de Braga, Rui Ferreira, na sequência de uma reunião mantida na última semana com responsáveis da VianaFestas.

«A reunião que mantivemos com a VianaFestas serviu para iniciarmos uma parceria entre as duas mais importantes festas do Minho e constituiu o primeiro passo no desencadear do processo de candidatura da romaria minhota a património imaterial», sustentou o presidente da Associação de Festas do São João de Braga.

O encontro com a Viana Festas, foi, segundo Rui Ferreira, «importante para definir linhas mestras que permitam traçar a essência de uma romaria minhota de forma a proteger um património que é de todos».

O responsável das Festas de São João de Braga (Baixo Minho) admitiu que se trata de um processo «para muitos anos» que «só poderá avançar» se reunir «suporte institucional das câmaras, comissões de festas e universidades» da região e se alcançar o «reconhecimento interno».

«Um passo importante é o Governo ter conhecimento de que o Minho, no seu todo, quer que a romaria minhota seja classificada. A inscrição na lista nacional de propostas a submeter pelo Governo português àquele organismo internacional é importante, mas, antes, é necessário realizar um inventário do património imaterial».

Além da secretaria de Estado da Cultura, Rui Ferreira sublinhou a importância de envolver na «diálogo» agora iniciado o Eixo Atlântico, associação transfronteiriça que congrega as 34 maiores cidades da euro-região Norte de Portugal-Galiza.

«Da parte do presidente da Câmara de Braga [e vice-presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio] temos total abertura para que isso aconteça. Os próximos meses vão ser decisivos para percebermos da disponibilidade destas entidades para apoiarem esta pretensão», sustentou.

Os responsáveis das duas festividades minhotas defendem que «uma candidatura conjunta terá mais força» até porque, consideram, «todas as romarias minhotas se irmanam em muitos aspetos».

Nesse sentido, o objetivo é alargar o «diálogo» a outras festas «representativas» da região, como por exemplo, as Feiras Novas, em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo (Alto Minho).

«Quisemos começar a dialogar com a VianaFestas e tivemos uma grande recetividade. Vamos continuar a conversar e a intenção é ir alargando a outras festas que se queiram juntar a este movimento. Isto é um projeto que só pode crescer com apoio e disponibilidade das instituições e creio que vai existir essa disponibilidade», sublinhou.

Daquela reunião ainda saiu «um sinal forte de interação» de «aproximação» das duas festividades minhotas.

«Foi analisada a possibilidade de representação das Festas da Agonia na Festas de São João, até com as mordomas, e de termos uma delegação de Braga na romaria de Viana do Castelo», adiantou.