A Linha do Tua, no distrito de Bragança, foi alvo de furto de carris, tendo desaparecido o equivalente a 190 metros de ferrovia junto à estação de Abreiro, no concelho de Mirandela, confirmou hoje à Lusa a Refer.

O gabinete de comunicação da empresa confirmou que «se tratou de um furto» e que a Refer ¿ Rede Ferroviária Nacional «está a lavrar o respetivo auto de notícia para participar às autoridades».

A Refer garantiu ainda que irá recolocar os cerca de 190 metros de carril furtados da ferrovia onde não circulam comboios há mais de cinco anos, desde o último de quatro acidentes que provocaram outras tantas vítimas mortais e dezenas de feridos.

O furto deverá ter ocorrido no final da semana passada, na mesma ocasião em que a GNR do distrito de Bragança teve uma participação de outro furto, mas de railes, as proteções laterais, na Estrada Nacional 215.

O Comando Distrital de Bragança da GNR disse à Lusa que foram furtados «cerca de um quilómetro» de railes nesta estrada, na zona de Vila Flor, relativamente próxima do local de onde levaram os carris da Linha do Tua.

O Movimento Cívico pela Linha do Tua (CMLT) denunciou publicamente o furto na ferrovia junto à estação de Abreiro, indicando, em comunicado, que se trata de um acontecimento que «se vem somar a (outros) análogos nas proximidades da estação de Santa Luzia e em plena via entre as estações do Cachão e de Vilarinho, entre 2010 e 2012».

No seu entender, a situação «só deriva do facto de continuar a haver um vergonhoso impasse sobre a resolução da situação da Linha do Tua, que encoraja este tipo de crime por prevaricadores que não se coíbem de saquear o material ferroso desta via-férrea».

Os defensores da linha aproveitam para questionar a Refer sobre «quando é que o troço Brunheda - Cachão voltará a reabrir ao tráfego ferroviário».

Dos 60 quilómetros que restam da linha centenária do Tua, que ligava Bragança à Linha do Douro, no Tua, a maior parte está desativada, fazendo-se apenas circulação ferroviária entre Mirandela e o Cachão, em cerca de 15 quilómetros.

O transporte das populações, no restante trajeto, é assegurado por táxis que fazem o antigo percurso do comboio.

O futuro da linha, que ficará parcialmente submersa pela barragem do Tua, está agora dependente do plano de mobilidade que contempla a recuperação da ferrovia, mas que só começará a ser executado depois da conclusão do empreendimento hidroelétrico prevista para 2016.