Por: tvi24 | 19- 12- 2011 15: 41
Os dois ex-executivos da Ferrostaal, que estão a ser julgados em Munique (Alemanha) por suborno de funcionários públicos
estrangeiros na venda de submarinos à Grécia e a Portugal, conhecerão a sentença na terça-feira, foi hoje anunciado de acordo
com a agência Lusa.
«Após a audição de várias testemunhas e a leitura das actas, o processo pode ser encerrado»,
anunciou o juiz, Joachim Eckert, na capital da Baviera.
Inicialmente, tinham sido agendadas quatro audiências para
o processo, até à próxima quarta-feira, mas a confissão dos arguidos, que já estavam em negociações com o tribunal desde Junho
através dos advogados, permitirá um desfecho mais rápido.
Na primeira audiência, na quinta-feira passada, o ex-administrador
da Ferrostaal Johann-Friedrich Haun e o ex-procurador Hans-Peter Muehlenbeck admitiram a culpa, aceitando a proposta do tribunal
para serem condenados a uma pena suspensa, que não excederá dois anos, e ao pagamento de uma coima.
Assim, Haun pagará
à justiça da Baviera 36 mil euros e Muehlenbeck 18 mil euros, precisou o juiz.
Quanto à Ferrostaal, arguida no mesmo
processo por crime de obtenção de vantagem económica através dos dois funcionários, distanciou-se dos delitos cometidos e
concordou em pagar uma coima de 140 milhões de euros, até 2014, em três prestações.
Tanto Haun como Muehlenbeck admitiram,
logo após a abertura do processo, ter pago subornos na Grécia e em Portugal para que ambos os países se decidissem pela compra
de submarinos ao German Submarine Consortium (GSC), que além da Ferrostaal integrava os estaleiros Howaldtswerke e a metalúrgica
Thyssenkrupp.
A queixa-crime incide sobretudo nas actividades dos ex-gestores da Ferrostaal na Grécia, no ano 2000.
Quanto
a Portugal, a acusação apenas refere que Haun e Muehlenbeck subornaram o ex-cônsul honorário em Munique Juergen Adolff, pagando-lhe
1,6 milhões de euros, através de um contrato de consultoria, para que o diplomata lhes propiciasse contactos com o governo
português.
A queixa-crime é omissa quanto a eventuais reuniões que Adolff terá conseguido organizar com membros do
executivo na altura chefiado pelo actual presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e em que Paulo Portas
era ministro da Defesa.
Os dois submarinos 209 PN foram entregues à marinha portuguesa, mas em Portugal há ainda
um processo jurídico relacionado com as contrapartidas que a parte alemã se comprometeu a pagar no negócio que custou 880
milhões a Lisboa.
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