Um mês após terem chegado a Portugal, os 24 refugiados já começaram a ter aulas de português, as crianças já estão na escola e o primeiro bebé de origem síria nascerá em maio em Ferreira do Zêzere.
 
Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, Portugal recebeu, a 17 de dezembro, o  primeiro grupo de 24 refugiados proveniente da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia, que estavam nos centros de acolhimento da Grécia e de Itália.

Em breve, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, vão ter autorização de residência provisória que permitirá acesso ao mercado de trabalho.

Os 24 refugiados são titulares de declaração comprovativa de apresentação do pedido internacional, que permite a permanência legal em Portugal e lhes confere determinados direitos, como ter acesso ao sistema nacional de saúde e ao ensino, mas, adianta o SEF, “muito em breve”, será emitida uma autorização de residência provisória que permite o acesso ao mercado de trabalho.
 
“O primeiro mês de integração destas famílias está a correr como o planeado e previsto, ou seja, as famílias foram acomodadas pelas instituições anfitriãs nos seus locais de acolhimentos”, disse, à agência Lusa, o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), instituição que faz parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
 
André Costa Jorge adiantou que, nesta primeira fase, de acolhimento a prioridade é acolher os refugiados e garantir a articulação com os serviços competentes, como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), saúde e educação, além de iniciarem a aprendizagem da língua portuguesa.
 
“Felizmente e, até à data, temos um registo muito positivo da fase de acolhimento com vista à integração”, afirmou, sublinhando que “uma das primeira prioridades é aprender o português”, uma vez que “é muito difícil para alguém que não domine a língua do país de acolhimento conseguir movimentar-se e fazer as coisas básicas”, como pedir um copo de água ou explicar-se no médico.
 
O diretor do SJR disse que é expetável que os refugiados falem razoavelmente português no final do primeiro ano.
 
Além da língua, apontou também como obstáculos à integração "todo o património de trauma psicológico”, o que leva, muitas vezes, a demorarem algum tempo a ter novamente confiança.
 
“Uma das dificuldades é o trauma, por um lado, e, por outro, o desajuste nas expetativas que vão encontrar no país de acolhimento, que faz com que o processo, pelo menos neste primeiro ano, seja mais duro”, realçou.
 
Das duas famílias acolhidas pela PAR, uma delas, proveniente do Iraque, está a viver no Laranjeiro e uma das duas crianças já está a frequentar a escola. A outra família, alojada em Ferreira do Zêzere, é de origem Síria, tem um bebé de 10 meses e o novo membro vai já nascer em Portugal, em maio, estando a mãe a receber todos os cuidados médicos relativos a uma grávida.
 
O diretor do SJR destacou que, por acaso, o médico de família que está a acompanhar esta grávida é também de origem síria, o que facilita o processo de comunicação.
 
André Costa Jorge indicou ainda que, em ambos os casos, está já a ser preparada a possibilidade de empregabilidade, estando a ser feitos os contactos com várias instituições.
 
O Conselho Português para os Refugiados (CPR) acolhe um casal e duas primas de 18 e 20 anos da Eritreia.
 
“Esta família está num processo de integração normal, como os outros requerentes de asilo e refugiados que chegam a Portugal. Está a ter progresso na aprendizagem do português”, contou a presidente do CPR, Teresa Tito Morais, adiantando que este processo é lento.
 
Segundo Teresa Tito Morais, estes quatro refugiados vivem num apartamento e recebem um apoio financeiro para alimentação e transportes.
 
“A prioridade é terem, logo à partida, todo um conjunto de informações e simultaneamente começarem logo com as aulas de português”, apontou, acrescentando que aos refugiados é dado a conhecer a zona onde estão inseridos, feito um acompanhamento para tratarem do processo de asilo e reencaminhá-los para os serviços de saúde.
 
Teresa Tito Morais afirmou ainda que, para já, não há, em termos de integração, resultados muito concretos, porque é cedo.
 
Ao abrigo deste programa, definido em setembro de 2015 pela UE, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado este primeiro grupo.