Notícia atualizada às 20:00

Fernando de Mascarenhas, de 69 anos, presidente da Fundação das Casa de Fronteira e Alorna, morreu hoje em Lisboa, anunciou hoje a instituição.

Fernando José Fernandes Costa de Mascarenhas, licenciado em Filosofia, era o 12.º marquês de Fronteira, 10.º marquês de Alorna e 13.º conde da Torre. Conhecido pelo título de marquês de Fronteira, Fernando de Mascarenhas, numa entrevista à Lusa, na década de 1990, sublinhou: «Os privilégios trazem consigo responsabilidades».

O marquês de Fronteira, «afirmou-se sempre como democrata e homem de Cultura, contribuindo, antes e depois do 25 de Abril de 1974, para o fortalecimento da liberdade de expressão e para a consolidação da cidadania», segundo o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, numa nota de pesar.

«Ao instituir a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, em 1989, e ao dirigir as suas atividades culturais durante 25 anos, Fernando Mascarenhas não só contribuiu para a divulgação do seu importante património histórico e cultural, como desenvolveu uma ação ímpar em prol das artes, da filosofia e da literatura».

Em 1989, instituiu a Fundação das Casa de Fronteira e Alorna, com fins culturais, científicos e educativos. Desde então, no âmbito da Fundação, realizou regularmente iniciativas ligadas à literatura, à arte e à música, tanto no palácio de século XVII, em Lisboa, em S. Domingos de Benfica, como no espaço em Ponte de Sor e na Herdade da Torre, de 7.900 hectares, em Torre das Várzeas, no distrito de Portalegre.

Fernando de Mascarenhas foi um opositor ao regime de ditadura, anterior ao 25 de Abril de 1974, tendo sido conhecido como «marquês vermelho». No seu palácio, em S. Domingos de Benfica, realizaram-se várias reuniões de oposicionistas.

Na entrevista à Lusa afirmou-se como «um liberal de esquerda», «homem avidamente interessado na cultura» e um cidadão do mundo. Viajar era, aliás, umas das suas paixões, como afirmou.

Nos últimos quatro anos, Fernando de Mascarenhas desenvolveu como «hobby» o interesse pela manufatura de joias em prata e pedras semipreciosas, tendo realizado algumas exposições no palácio.

O velório de Fernando de Mascarenhas realiza-se hoje, no palácio de Fronteira, realizando-se o funeral na quinta-feira à tarde, assim como a cerimónia de cremação. O funeral sai do palácio de Fronteira para o cemitério dos Olivais, em Lisboa. A missa de corpo presente será pelas 15:30 e a cerimónia de cremação pelas 17:30.