Mais ou menos tempo de aulas? Milhares de alunos entraram nas férias grandes de verão na sexta-feira e a última semana ficou marcada por propostas que estão a dividir opiniões. Os próprios pais não se entendem. Se o Conselho das Escolas até recomendou ao ministério a introdução de férias no outono, a Confederação Nacional de Associações de Pais defendeu a seguir que os alunos só deviam ter um mês de férias no verão. Agora, a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação vem mostrar-se contra o que os outros pais representados pela Confap defendem. 

A CNIPE considera que reduzir o período de férias dos alunos poderá ser contraproducente e lembra que as crianças "precisam de tempo de ócio para crescer”.

Isabel Gregório, desta confederação, saudou a recomendação do Conselho das Escolas, no sentido de os alunos terem uma pausa de dois dias a meio do primeiro período, uma espécie de “férias de outono”, altura em que as escolas poderiam planear atividades de apoio aos alunos que revelassem maiores dificuldades. 

“Esta proposta vai ao encontro das nossas sugestões. Em janeiro estivemos reunidos no Ministério da Educação e o intervalo a meio do primeiro período foi precisamente uma das nossas propostas”, começou por afirmar à agência Lusa.

Já sobre a proposta da Confap de os alunos passarem a ter apenas um mês de férias no verão, Isabel Gregório explicou que a CNIPE ainda não tem uma posição assumida mas alertou para os riscos de os alunos estarem tanto tempo na escola.

“Não queremos radicalizar opiniões e estamos abertos à discussão, mas parece-me que encurtar o tempo de férias acaba por ser contraproducente”. “As crianças, jovens e adolescentes precisam de tempo para crescer”.

“Não queremos criar robots, queremos cidadãos completos e as crianças precisam de espaço para socializar e a verdade é que neste momento muitos estão na escola das oito da manhã às seis da tarde a estudar, com a agravante de ainda trazerem TPC para fazer em casa”


A presidente da CNIPE defendeu ainda a necessidade de os mais novos também terem “tempo de ócio para pensar, que é essencial e faz parte do seu crescimento. As crianças precisam de crescer como um todo e não apenas na vertente escolar. Os nossos filhos estão cada vez mais ocupados, são cada vez mais competitivos no sentido de terem as melhores notas e serem os melhores, e isso pode pôr em causa a entreajuda entre colegas”.

A CNIPE também se mostrou satisfeita com as outras duas recomendações do CE, no sentido de agendar apenas para o final do período letivo os exames do 4.ºe 6.º anos e de tornar mais homogéneo o fim das aulas independentemente do ano de escolaridade.