A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vai iniciar um debate nacional sobre as equipas educativas no primeiro ciclo do ensino básico e entregará em breve, ao Governo, um caderno reivindicativo sobre a matéria.

«O modelo do professor único está esgotado» e hoje foi «o pontapé de saída» sobre o debate de uma resposta que não seja o professor único no primeiro ciclo, «mas que também não seja a desorganização que hoje existe na maior parte dos agrupamentos» de escolas, disse à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

O responsável falava após o encerramento de uma conferência sobre o primeiro ciclo, sob o tema «Re(pensar) a Escola, Dignificar o Professor, Respeitar a Criança», que juntou em Lisboa cerca de 250 professores do ensino básico.

«Preocupa-nos alguma desvalorização que o Governo tem feito, por exemplo, o afastamento dos professores do primeiro ciclo da gestão das escolas ou a criação de mega-agrupamentos», onde os problemas são diluídos numa sala com 100 professores, afirmou Mário Nogueira.

O secretário-geral lembrou que o primeiro ciclo foi marcado pela figura do professor único, mas que hoje já há experiências em que há um «professor que seja uma referência» mas também outros professores, «seja para alunos com necessidades educativas especiais, seja para outros tipos de desenvolvimento do currículo», que «tem de ser enriquecido».

Mas se por um lado já existe a coadjuvação, faltam as regras, considerou Mário Nogueira, explicando que, se uma escola decidir fazer essa coadjuvação, ou tem recursos (professores com horário zero) ou então não pode contratar ninguém. «E isso está a criar assimetrias, com situações em que o professor titular está sozinho com os alunos toda a semana ou então em que quase não tem tempo para eles. Tem de haver uma regulação», considerou.

No decorrer da conferência foi criado um caderno reivindicativo, integrado num documento com propostas fundamentadas e concretas, que será em breve entregue, entre outros, ao Governo, à Assembleia da República, ao Conselho Nacional da Educação e às confederações de pais, adiantou Mário Nogueira.

Antes o responsável já tinha lembrado, quando encerrava os trabalhos, a «brutal carga fiscal» a que são sujeitos os professores, os níveis de desemprego elevados (aumento de 256% entre 2011 e 2013, disse) ou o «ataque» do Governo à escola pública.

Estas são razões, no seu entender, para nas comemorações do 25 de Abril e 1.º de Maio os professores irem para a rua «exigir a demissão do Governo» e, mais do que isso, o fim das atuais políticas.

Entre 4 e 10 de maio a federação vai promover uma semana sobre educação inclusiva, com um debate com os grupos parlamentares a 7 e «um grande encontro» a 10, no Fórum Seixalense.