O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse que a greve dos professores vai mostrar ao Governo que os professores "tem um pulso forte".

Os professores realizam esta quarta-feira uma greve geral e uma concentração em frente ao parlamento, o que se poderá traduzir em escolas fechadas, alunos sem aulas e professores na rua.

Em causa está a polémica proposta de não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida na quarta-feira no parlamento.

Percebemos que a reunião de ontem era para tentar convencer-nos que juridicamente não havia nada a fazer e se calhar não há, mas politicamente há de certeza que é mudar a lei e permitir que este tempo seja recuperado. Agora em quanto tempo, de que forma, é isso que nós queremos negociar. Estamos há um mês a pedir que isso aconteça. O Governo ao transferir para quinta-feira a reunião [com o Ministério da Educação], a continuação das negociações, quis sentir o pulso a esta greve e os professores vão mostrar que tem um pulso forte e que estão absolutamente disponíveis para lutar pelo que é justo”, disse.

Cerca das 11:00, o secretário-geral da Fenprof disse à Lusa que a adesão ronda os 90% e que o número deverá aumentar.

Para Mário Nogueira, trata-se de uma “greve histórica de professores” com os estabelecimentos do pré-escolar e primeiro ciclo praticamente fechados em todo o país, mas também escolas do segundo e terceiro ciclo e secundário.

Para uma greve de professores fechar escolas, tem de ter uma adesão extraordinária”, afirmou o dirigente sindical.

A Fenprof e a Federação Nacional de Professores (FNE) estiveram reunidas na terça-feira com o Governo.

Em comunicado enviado na terça-feira à noite, o Governo anunciou ter registado “avanços no sentido de um potencial acordo negocial”.

“No seguimento das reuniões realizadas entre a secretária de Estado da Administração e Emprego Público, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, a FENPROF e a FNE, o Governo regista avanços no sentido de um potencial acordo negocial”, refere em comunicado.

O Governo acrescentou que “foram exploradas possibilidades” que vão agora ser analisadas, com as reuniões entre as partes a serem retomadas na quinta-feira.

Em declarações à Lusa, Mário Nogueira disse que a “aquilo que ficou previsto na reunião na terça-feira foi que a negociação tinha de continuar”.

Ontem não houve nenhuma apresentação de uma proposta concreta da parte do governo. Houve sim a tentativa de durante quase duas horas de nos explicar porque é que no plano estritamente jurídico o tempo não podia ser recuperado. Eles têm de perceber que a ditadura do jurídico não se pode sobrepor aos direitos das pessoas”, frisou.

Mário Nogueira destacou que os professores não estão a reivindicar mais salários, só a pedir o que é justo”.

As pessoas trabalharam durante nove anos, quatro meses e dois dias em que estiveram congeladas as carreiras. Não estamos a exigir que seja em dois anos, estamos disponíveis para negociar um faseamento”, disse.