A greve dos professores registou esta terça-feira de manhã uma adesão entre 60% e 70%, segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), numa conferência de imprensa acompanhada pelos restantes sindicatos que convocaram a paralisação.

“Esta é uma grande resposta dos professores no primeiro de quatro dias de greve”, disse aos jornalistas o secretário-geral da Fenprof. "Se o Governo não ouviu os professores na negociação vai ouvir na rua“, disse Mário Nogueira, no primeiro balanço sobre a manhã de greve junto à escola Marquesa da Lorna, em Lisboa.

Na segunda-feira, sindicatos dos professores e Ministério da Educação não chegaram a acordo em relação à contagem do tempo de descongelamento das carreiras.

A tutela admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, enquanto estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses.

Como não chegaram a acordo, os professores mantiveram a greve prevista para entre hoje e sexta-feira.

Não se compreende como é que na véspera de uma greve o Governo marca uma reunião supostamente de negociação para dizer que a única coisa que tinha a dizer era o que já tinha dito”, afirmou Mário Nogueira.

Os sindicatos estão a ponderar “uma grande manifestação” e uma nova greve no terceiro período de aulas, caso se mantenha a posição do Governo.

“Contrariamente ao que fez na restante administração pública, em geral, que foi contar todos os períodos do tempo de serviço no descongelamento, para os professores 70% desse tempo é para eliminar, o que é uma discriminação completamente inaceitável”, declarou Mário Nogueira.

O Ministério da Educação divulgou na segunda-feira um comunicado em que afirma que, no processo em curso, “todos os professores veem a sua carreira descongelada e mais de 45.000 progridem de escalão ao longo de 2018”.

A greve abrange hoje as escolas dos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém e na região autónoma da Madeira, na quarta-feira as da região sul (Évora, Portalegre, Beja e Faro), na quinta-feira as da região centro (Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco) e, na sexta-feira, é a vez da região norte (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) e na região autónoma dos Açores.

Adesão nos primeiros tempos de aulas foi de 50% em Setúbal 

 Várias escolas do distrito de Setúbal não abriram portas hoje e a adesão à greve dos professores nos primeiros tempos de aulas foi de 50%, disse à agência Lusa fonte do SPGL (Sindicato dos Professores da Grande Lisboa).

A adesão à greve nos primeiros tempos foi de apenas 50%, mas estes números são normalmente os mais baixos e tendem a aumentar à medida que as escolas vão atualizando os dados", disse a vice-presidente do SPGL, Brígida Baptista, adiantando que há "várias escolas fechadas no distrito de Setúbal".

Segundo o SPGL, a Escola Secundária Romeu Correia, EB 2+3 Alembrança (Almada) e a Escola primária de Praias-do-Sado (Setúbal) não abriram portas hoje devido à greve dos professores convocada para a região autónoma da Madeira e para os distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal.

Nas escolas EB1 Alvalade do Sado e Jardim de Infância de Santo André, Concelho de Santiago do Cacém, também não houve aulas.

Na escola secundária do Bocage, uma das maiores do concelho de Setúbal, o diretor Pedro Gomes admitiu que alguns professores faltaram aos primeiros tempos letivos, mas escusou-se a adiantar qualquer número sobre a adesão à greve.

Nesta altura, há muitos testes marcados e nesta escola a adesão à greve não costuma ser muito elevada", acrescentou Pedro Gomes.

Muito fraca parece ter sido também a adesão à greve nos primeiros tempos letivos na Escola Secundária Sebastião da Gama, que, segundo o diretor-adjunto, António Sousa, terá ficado "entre os 10% e os 15%".

Mais elevada foi a adesão à greve na EB1 Alberto Valente (Pinhal Novo, Palmela), que, segundo o SPGL, registou uma adesão de 42% nos primeiros tempos letivos de hoje.

Adesão na Madeira de 20% para os sindicatos

A greve dos professores na Madeira tem uma adesão média de 20% segundo o Sindicato dos Professores (SPM), enquanto o governo fala em 6,9% da parte da manhã.

De acordo com os dados fornecidos à Lusa pela secretaria regional de Educação, de um total de 2.845 professores, 196 aderiram à greve.

Para o secretário que tutela a pasta, Jorge Carvalho, os 6,9% de adesão refletem as matérias já assumidas pela secretaria, caso da progressão nas carreiras, considerando que a greve, como o SPM já tinha dito hoje, "é feita por solidariedade" para com o todo nacional.

O presidente do SPM, Francisco Oliveira, referiu que "no primeiro ciclo e pré-escolar a taxa de adesão atingiu 30% e nas escolas do segundo e terceiro ciclos e secundário, a taxa ficou abaixo dos 20%".

O responsável ressalvou que algumas escolas "registaram valores mais elevados de adesão, onde se fizeram sentir os efeitos da greve".

Na última greve convocada pelo SPM, em novembro de 2017, a taxa de adesão dos professores situou-se nos 60% pelo que Francisco Oliveira recordou que na região, há um entendimento com a secretaria da tutela para o principal problema que deu origem à greve de hoje, a recuperação integral do tempo de serviço dos períodos de congelamento para efeitos de progressão na carreira.

"A Madeira tem aqui um aspeto diferente do continente", disse, considerando que "terão havido muitos professores que acharam que não havia razão para a greve".

Francisco Oliveira disse ainda que se deverão manter os níveis de adesão no período da tarde.