A Fenprof acusou hoje o ministro da Educação, Nuno Crato, de ter desistido de aprovar um novo estatuto da carreira de investigação científica, por já ter entrado em “modo eleições” e ter “medo da contestação”.
 

“O governo entrou, decididamente, em 'modo eleições': se lhe interessa, avança; se não lhe interessa e provoca contestação, então fica para a próxima legislatura. Novo exemplo do que se afirma e que, no MEC [Ministério da Educação e Ciência], o ministro Nuno Crato aplica em pleno, é o anunciado adiamento da revisão do estatuto da carreira de investigação científica”, acusou hoje a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), em comunicado.


A federação de professores considerou que este adiamento para para o próximo Governo - a próxima legislatura – deve ser lido como uma vitória sindical.
 

“A Fenprof considera que a desistência do Governo quanto à aprovação de uma revisão do estatuto de carreira de investigação científica é revelador da sua incapacidade política para produzir um diploma que correspondesse às necessidades do desenvolvimento da ciência em Portugal, indissociáveis da criação de um corpo de investigadores estável, adequadamente qualificado e motivado”, lê-se no comunicado.


O ministro remeteu, na terça-feira, para "o próximo Governo" a novo estatuto da carreira de investigação científica, prometido pela tutela para o fim de 2014.
 

"Eu julgo que será algo prioritário para o próximo Governo", afirmou, lacónico, aos jornalistas, em Lisboa, no final da apresentação do relatório da avaliação externa à Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade pública sob tutela do Ministério da Educação e Ciência que subsidia a investigação.


Hoje, a Fenprof manifestou a expectativa de que, na próxima legislatura, o novo estatuto seja uma matéria assumida “como prioritária”.
 

“A Fenprof continuará a mobilizar a comunidade académica e os investigadores, manifestando-se disponível para, em ações próprias ou convergentes, alcançar uma revisão digna da carreira de investigação científica”, lê-se no documento da estrutura sindical.


Em declarações à Antena 1 e ao Diário Económico, em janeiro de 2014, a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, apontou o fim desse ano como o prazo para ter o novo estatuto da carreira de investigação científica.

Posteriormente, em junho de 2014, Leonor Parreira disse à Lusa, sem adiantar pormenores sobre o documento, que a proposta do Governo de revisão do estatuto da carreira de investigação científica estava pronta, mas que aguardava pareceres finais do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, órgão consultivo presidido pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assim como de outras entidades, como o Conselho dos Laboratórios Associados e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.

O atual estatuto da carreira de investigação científica é de 1999.