A FENPROF desafiou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a acabar este ano letivo com as turmas que juntam vários anos de escolaridade no 1.º Ciclo.

Citando números do ano letivo 2015-2016, o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, afirmou que num total de 16.142 turmas existentes no 1.º Ciclo, 5.180 (um terço) tinham mais de um ano de escolaridade.

De acordo com os mesmos dados, apresentados em conferência de imprensa, em Lisboa, 226 turmas integravam alunos dos quatro anos de escolaridade do 1.º Ciclo: “Estamos a falar de 3.175 alunos”.

“O professor está um quarto do tempo para aquele ano, os alunos têm muito menos atenção e se já é difícil trabalhar no 1.º Ciclo com todas as diferenças que existem entre os alunos e os diferentes ritmos, agora imagine-se o que é trabalhar com os quatro anos de escolaridade”, na mesma sala, declarou Mário Nogueira antes de uma reunião de dirigentes da FENPROF para aprofundar estas questões no dia em que começa oficialmente o ano letivo.

“Se apenas falarmos das turmas que têm mais de dois anos de escolaridade, este número sobe imediatamente para 518 turmas, atingindo 7.817 alunos”, acrescentou.

Para Mário Nogueira, trata-se de uma desqualificação do trabalho do professor na escola pública.

“Desafiamos o senhor ministro no sentido de todas as turmas terem apenas um ano de escolaridade, excecionalmente dois anos. Se o fizer os professores com horário zero no 1.º Ciclo são todos absorvidos”, declarou.

O dirigente sindical reiterou que continuam a existir “problemas graves” no 1.º Ciclo, como o excesso de alunos em turmas que integram crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

A FENPROF está a fazer um levantamento nacional sobre esta matéria.

Os primeiros dados recolhidos indicam que, no distrito de Aveiro, entre 166 turmas de um agrupamento escolar, 29 integram alunos com NEE, mas “só sete respeitam os limites” para a constituição: dois alunos com estas características ou 20 no total.

“Este é um exemplo, os outros que nos estão a chegar vão muito neste sentido”, sublinhou.

Mário Nogueira frisou ainda a falta de funcionários nas escolas recordando números avançados pelos sindicatos do setor: “Calcula-se que as escolas abram com um défice de 6.000 assistentes operacionais”.