Por: Redacção / CMM | 23- 4- 2010 16: 16
O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou esta sexta-feira a «incapacidade do Governo»
para compreender «como é injusto e perverso» considerar a avaliação de desempenho no concurso de docentes e alertou que «a
teimosia retira lucidez».
«Não está em causa, neste concurso, ser a favor ou contra o que se considere a avaliação.
Em confronto estão o bom senso e a teimosia», afirmou Mário Nogueira, na sessão de abertura do 10.º Congresso Nacional dos
Professores, que arrancou ao final da manhã em Montemor-o-Novo (Évora).
Por isso, no dia em termina o prazo de candidaturas
do concurso de colocação de professores, para a contratação dos que vão preencher os lugares que, em 2011, terão de fazer
parte dos quadros das escolas, Mário Nogueira deixou um alerta ao executivo e à ministra da Educação, Isabel Alçada.
«A
teimosia retira lucidez aos decisores e não será o estilo que permitirá manter práticas anteriores», afiançou, criticando
a «incapacidade do Governo para compreender como é injusto e perverso considerar a avaliação de desempenho para efeitos de
concurso».
O ponto de viragem
Segundo Mário Nogueira, na campanha eleitoral das últimas legislativas,
os responsáveis do PS tiveram «uma clara alteração de discurso» no que respeita aos professores, «com arrependimentos tornados
públicos».
«Mas bastaram alguns, poucos meses, para que fossem aprovados o Orçamento de Estado para 2010 e o Plano
de Estabilidade e Crescimento (PEC) até 2013» para que o Executivo de José Sócrates alterasse a sua postura.
Ou mesmo,
realçou, para que «a senhora ministra da Educação tenha ontem [quinta-feira] afirmado que, em reunião nenhuma, a Fenprof ou
outro sindicato» colocaram «a questão da avaliação nos concursos como algo que tinha que ser alterado».
«Senhora
ministra, já que é uma pessoa conhecida da juventude, que escreve para os jovens, não dê maus exemplos. Não minta que é feio»,
ironizou o responsável.
Na abertura dos trabalhos, o secretário-geral da Fenprof considerou ainda «uma grande vitória»
as alterações ao Estatuto da Carreira Docente, aprovadas na quinta-feira pelo Governo e que determinam o fim da divisão da
carreira em professores e professores titulares.
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