Por: Redacção | 15- 7- 2010 21: 34
A Fenprof acusou hoje o Ministério da Educação de ter «tiques de autoritarismo» ao levar a cabo uma reorganização dos agrupamentos
escolares apenas para poupar e pondo em causa o posto de trabalho de «milhares de professores».
«Neste final de ano
lectivo vimos o surgimento de uma coisa nova, na Educação, que foram tiques de autoritarismo, de prepotência e posturas anti-negociais»,
acusou o líder da Federação Nacional de Professores, em conferência de imprensa, no final da reunião do conselho nacional
da estrutura sindical, citado pela agência Lusa.
De acordo com Mário Nogueira, há vários exemplos que comprovam a
acusação dos professores e uma delas tem a ver «com a forma como estão a ser impostos mega agrupamentos de escolas».
«Os
mega agrupamentos não corresponderam a uma lei, a um decreto-lei, a nada. Foi uma resolução do Conselho de Ministros que foi
tomada no mês passado», disse.
Mário Nogueira sublinhou que não foi ouvida a opinião das escolas quanto a esta matéria:
«Aqui não houve consulta, não houve diálogo, houve simplesmente informação da forma mais prepotente ao pior nível do que foi
feito por equipas ministeriais anteriores», criticou.
O líder da Fenprof entende que o Governo «está disposto, para
poupar, a poder ferir o trabalho, a organização, o funcionamento e as dinâmicas que hoje as escolas têm».
Como consequência,
Mário Nogueira entende que, com esta medida, está posto em causa o posto de trabalho de «milhares de professores».
«Quando
os mega agrupamentos forem a realidade em termos nacionais, eles conseguem com isso que milhares de horários nas escolas fossem
reduzidos e isso significa, de facto, que milhares de professores ficarão sem emprego», avisou.
Acrescentou ainda que
essa situação afectará primeiro os contratados e depois «com horários zero a aparecerem de uma forma brutal».
O Governo
anunciou no início de Junho um processo de reordenamento da rede escolar, nomeadamente o encerramento de cerca de 500 escolas
do primeiro ciclo com menos de 21 alunos, bem como a agregação de unidades de gestão (agrupamentos e escolas não agrupadas).
O
secretário de Estado da Educação, João da Mata, anunciou hoje à agência Lusa que no início deste ano lectivo existiam 1179
unidades orgânicas, mas que a partir de Setembro serão menos cerca de 100. Acrescentou também que cada uma das novas unidades
terá em média cerca de 1700 alunos.
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