Por: tvi24 | 14- 4- 2010 20: 30
Os professores vão voltar à rua, garantiu o secretário-geral da Fenprof, estrutura que ainda hoje vai lançar um abaixo-assinado
na Internet contra a inclusão da avaliação de desempenho nos concursos de docentes a decorrer, noticia a Lusa.
Caso
o Governo não atenda às reivindicações dos professores, reafirmadas nos últimos dias, a Federação Nacional dos Professores
(Fenprof) tenciona mobilizar os docentes contratados que possam deslocar-se ao Ministério da Educação para aí se concentrarem
na segunda feira e entregar o documento, anunciou Mário Nogueira.
Ainda esta quarta-feira seguirá também um pedido
de audiência para a Comissão de Educação da Assembleia da República.
«A Assembleia da República tem hoje condições
políticas para resolver este problema se o Governo não o quiser fazer», declarou o líder da Fenprof durante uma conferência
de imprensa, em Lisboa, que começou com algum atraso por Mário Nogueira estar ainda a desenvolver contactos com o Governo
na tentativa de desbloquear a situação.
«O único compromisso que conseguimos do Governo é estar aberto a identificar
os problemas e procurar solução para eles, mas esse trabalho está feito. Os problemas estão identificados há muito», afirmou.
«Temos
tentado resolver o problema com diálogo, mas o Governo não quis», declarou Mário Nogueira, acrescentando que na segunda feira,
caso não haja alteração na situação, os professores dirigir-se-ão ao Ministério da Educação pelas 17:00 para pedir uma reunião
e entregar o abaixo assinado.
«Não será uma manifestação, mas convidamos os professores que possam a juntar-se lá»,
indicou, referindo que haverá acções idênticas no Porto, Coimbra, Faro e Évora junto das direcções regionais de Educação.
Mário
Nogueira responsabilizou a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues pelos problemas agora suscitados, já que vem
da anterior legislatura o decreto-lei que remeteu para este ano a aplicação da norma em causa.
Para a Fenprof, o
Governo ainda vai a tempo de suspender o concurso, «corrigir o formulário» que os docentes preenchem online e reabrir o processo
dentro de dias, uma vez que está tudo informatizado.
«Vingança de Maria de Lurdes Rodrigues»
Por
outro lado, defende a prorrogação por um ano da disposição que remeteu para este ano a introdução da avaliação no concurso,
dando tempo à elaboração do necessário decreto-lei para alterar a situação no próximo ano.
«A introdução da avaliação
nos concursos de professores foi uma vingança de Maria de Lurdes Rodrigues. Quando em Dezembro de 2008 os professores estavam
em vigília à porta do ministério e tinham uma greve marcada para 19 de Janeiro foi-nos dito que ou a Fenprof e os sindicatos
levantavam a greve ou o Ministério da Educação impunha a avaliação de desempenho nos concursos», declarou.
Mário
Nogueira frisou que no caso presente serão criadas situações «extremamente complicadas, perversas e injustas», uma vez que
nem todos os professores foram avaliados e os que foram não o foram nos mesmos moldes, dada a «confusão criada».
«Houve
escolas que perante a confusão decidiram dar Bom a todos os professores, outras aplicaram as quotas», reafirmou, considerando
que hoje os professores sujeitos ao concurso com o actual regime estão «na fronteira entre ter emprego ou não».
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