Cerca de 150 estudantes da Escola Secundária da Feira manifestaram-se esta quinta-feira contra as políticas do Governo ao nível da Educação, num protesto que dizem que seria mais participado «se a polícia não intimidasse os outros alunos».

Contactada pela Lusa, a PSP garantiu que «ninguém foi impedido de sair da escola» esta quinta de manhã, mas o presidente da Associação de Estudantes da Secundária da Feira afirmou que ¿se não fosse pela PSP» a manifestação podia «ter aqui fora uns 250 a 300 alunos mobilizados para apoiar o movimento social Basta, a que já aderiram mais de 100 escolas em todo o país».

«Houve pelo menos outros 100 alunos que tinham entrado para a escola às 08:30 e depois, quando quiseram juntar-se à manifestação, se viram impedidos de sair porque a PSP fez um cordão de intimidação», disse Pedro Alves.

Segundo o presidente da Associação de Estudantes, que representa os cerca de 1.800 alunos da Secundária da Feira, em causa está «a defesa de uma escola pública mais justa, mais democrática, com qualidade e sem os cortes na Ação Social que o Governo está a fazer».

Pedro Alves defendeu, aliás, que essa última medida é «uma das mais graves para a comunidade educativa, porque é sabido que, enquanto o Estado corta os apoios a quem mais precisa, continua a haver dinheiro público para financiar colégios privados».

O porta-voz dos estudantes afirmou também que «os alunos da Feira não concordam com estas escolhas do Governo» e que o protesto de hoje é reflexo de uma insatisfação crescente: «estamos fartos de que olhem para nós como números».

Contactado pela Lusa, o subintendente Sérgio Loureiro, do comando distrital de Aveiro da PSP, informou que «só estiveram na escola três ou quatro agentes, para efeitos de manutenção da ordem pública, até porque havia manifestantes na via pública e isso representa sempre alguns cuidados em termos de trânsito».

O mesmo responsável disse que «não houve necessidade de qualquer intervenção, porque tudo decorreu de forma ordeira», e assegurou que «ninguém foi impedido de sair da escola pela polícia».

«A responsabilidade de os alunos saírem ou não cá para fora é do próprio estabelecimento de ensino», explica Sérgio Loureiro.

«Isso não é competência da Polícia», disse à Lusa.