Um grupo de bolseiros de investigação promoveu hoje um protesto simbólico, em Lisboa, para exigir a abertura do concurso de bolsas da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) prometida para junho.

«Não pode haver surpresas no financiamento da investigação e a surpresa é que a FCT disse que, em junho, abriria concurso, estamos a meio de julho e não informa os bolseiros de quando será», disse no local Diana Neves, que integrava um grupo de 12 bolseiros.

A ação foi promovida em frente a instalações da FCT, a Loja do Cientista, pela Associação de Combate à Precariedade.

Na semana passada, a Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) lançou um abaixo-assinado pelo mesmo motivo, que, segundo a jovem bolseira, conta já com 3.000 assinaturas.

A FCT remeteu para este mês a abertura do concurso, mas os bolseiros dizem não ter ainda qualquer informação.

«As promessas valem o que valem, a última não valeu nada e por isso estamos aqui para que haja informações concretas, para que os bolseiros sejam informados e para que as suas vidas não sejam suspensas, porque parece que não existem prazos», afirmou.

«Os prazos do lado de quem financia não são cumpridos, mas os prazos do lado de quem investiga e trabalha todos os dias têm de ser cumpridos, sob pena de se ficar sem financiamento», lamentou.

O protesto de hoje decorreu durante alguns minutos sob o lema «A FCT deixa-nos às escuras».

Um grupo de 12 jovens bolseiros usou espelhos e lanternas para «iluminar a FCT», que já reconheceu os atrasos na abertura do concurso, justificando-o com a abertura de vários processos ao mesmo tempo, no âmbito da sua atividade.

«Dá-nos apenas informação vã, por isso viemos hoje aqui, com lanternas e com espelhos, para iluminá-los, porque a ciência não se pode fazer às escuras, faz-se com comprometimento, e a competitividade a mesma coisa, não se faz a prazo, faz-se com estabilidade», declarou Diana Neves, considerando a situação insustentável: «Se queremos usar a investigação também como motor da economia e para sairmos desta crise, então não podemos continuar assim».