O presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, entende que a visita do Papa Francisco dará uma grande projeção a Fátima e a Portugal, não só em maio do próximo ano, mas também no futuro.

"Estou em crer que mais importante do que o momento da presença de sua santidade em Fátima - porque a partir de determinada altura não haverá lotação para mais pessoas - é a projeção futura que isso terá", afirmou o autarca à agência Lusa.

Paulo Fonseca comentava declarações do bispo auxiliar de Lisboa, Nuno Brás, que disse na quinta-feira à agência Ecclesia que o Papa Francisco confirmou a deslocação a Portugal em maio do próximo ano, "mas a Fátima", a propósito do Centenário das Aparições.

Nuno Brás contou que a confirmação foi dada domingo, quando cumprimentou o Papa no final da Eucaristia que encerrou o Jubileu dos Catequistas, no Vaticano.

O presidente da Câmara de Ourém congratulou-se por esta "confirmação idónea", que reforça a convicção que já havia em Fátima, cidade deste concelho.

"Estamos muito satisfeitos e felizes por recebermos uma visita que é absolutamente relevante, não só por ser o líder espiritual de todos os cristãos, mas também porque se trata de uma personalidade única, que tem revolucionado o mundo no bom caminho", frisou.

O autarca sublinhou que se trata de "mais um momento de visibilidade e de centralidade" para Fátima, que é uma "marca" de Portugal que tem "um potencial enorme" de crescimento.

"Portugal é um país exageradamente centralista", levando a que, "de cada vez que veio um Papa a Portugal, teve de fazer uma espécie de via-sacra por Lisboa, Porto, Braga, como se toda a gente fizesse concorrência entre si".

"O Papa disse de uma forma clara ‘eu irei a Portugal, mas a Fátima', porque o que o motiva nesta visita é o significado de Fátima, da paz, da tolerância, do diálogo multicultural, o significado da mensagem de Nossa Senhora e de uma espiritualidade da qual o mundo precisa", sublinhou.

Para Paulo Fonseca, "esta é uma oportunidade para que Portugal perceba que tem no seu seio um potencial enorme". Está previsto "um programa de iniciativas paralelas da sociedade civil" e a autarquia tem estado a "trabalhar com o Governo no sentido de modernizar e qualificar alguns locais de Fátima".

À espera de um recorde de turistas em 2017

O autarca lembrou que em Portugal, no ano passado, foi batido o recorde de turistas (15 milhões), tendo estado em Fátima 6,7 milhões.

Em Fátima, "existe uma lotação que já estaria completa em qualquer ano por ocasião das cerimónias mais relevantes, como o 13 de maio e o 13 de outubro", sendo que, em 2017 "haverá de certeza mais pessoas que virão num só dia para participar nas cerimónias, para estarem espiritualmente envolvidas neste ambiente de paz que o Papa trará e para lhe prestarem homenagem", acrescentou.

"Depois de esgotada a lotação, não caberão mais pessoas. Tomaremos as diligências necessárias para controlar isso, porque é preciso garantir que as pessoas estarão seguras e com respostas ao nível médico e da proteção civil", frisou.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Humberto Silva, mostrou a sua convicção de que a visita do Papa será uma realidade.

Na sua opinião, o papel da Junta de Freguesia - que tem estado a trabalhar com a Câmara e com o Santuário - passa sobretudo por "mobilizar a população e pedir a sua colaboração" para que tudo corra bem durante a visita.

A agência Ecclesia recordou que a 7 de setembro de 2015, no encontro dos bispos de Portugal com o Papa durante a visita ad Limina, o papa demonstrou o "desejo profundo" de visitar Fátima, ao afirmar: "Tengo ganas de ir a Fátima (quero ir a Fátima)".

A 17 de março, durante a primeira visita oficial como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa convidou formalmente o papa Francisco para uma visita a Portugal.

Caso esta se venha a confirmar, Francisco será o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).