Por: Hugo Beleza / Cláudia Lima da Costa (fotos) | 13- 5- 2010 17: 58
O dia 13 de Maio de 2010 irá ficar na memória de muitos peregrinos como o dia em que Fátima passou a ter mais um Papa.
Um dia antes de Bento XVI ter chegado a Portugal, o tvi24.pt esteve nos caminhos que levam ao Santuário. Para muitos
dos caminhantes, o actual bispo de Roma era visto como alguém distante, pouco simpático e até susceptível de alguma desconfiança. Na Cova de Iria, para muitos, ainda era João Paulo II que estava sentado na
cadeira de S. Pedro. Tudo isso mudou esta quinta-feira.
GALERIA
DE FOTOS DE FÁTIMA
Se a vinda do Papa a Portugal tinha o objectivo de torná-lo mais próximo de um povo que
aprecia a intimidade, conseguiu-o. Já em Lisboa, Bento XVI criara um certo elã em torno a esta visita. Não era associado à
juventude e os jovens aparecerem. Não era conhecido pelo seu humor e arriscou uma piada antes de se ir deitar. Não lhe correu
mal.
Esta tarde, o porta-voz da Santa Sé disse em conferência de imprensa que o papa acordou bem disposto, em Fátima.
Tinha 500 mil razões para isso. Todas à espera na praça do santuário e arredores. Pelo menos foi esse o número de peregrinos
que estaria na eucaristia de hoje, segundo o Vaticano.
Numa visita que começou ainda dentro do avião, com declarações
sobre o terceiro segredo de Fátima e o escândalo de pedofilia, o Papa conseguiu, pelo menos com este último tema, mudar a
percepção junto da imprensa de que a Igreja via a revelação dos casos como um ataque concertado pelos media. Antes de uma
mediática visita, o Papa deixou claro que o «inimigo» não está fora da Igreja, mas dentro. E trata-se de quem cometeu abusos,
para quem não basta o perdão. É necessário também justiça.
Numa altura conturbada para a Igreja, a visita a Portugal
- um dos países mais católicos da Europa e, pelo menos até agora, sem os escândalos que abalaram igrejas nacionais, como a
irlandesa -, servirá não apenas para o Papa animar os fiéis portugueses, mas para os fiéis portugueses animarem o Papa. E
projectar essa imagem para o resto da Igreja. Televisões, rádios e jornais não têm faltado para isso.
«Uma grande
vitória»
Esta tarde, já com a praça a esvaziar-se, muitos peregrinos confessavam sair do local cheios de espírito
renovado e com uma refrescada visão do Papa. Maria de Lurdes, uma católica de 58 anos, de Carcavelos, disse ao tvi24.pt
isto mesmo. «Achei-o mais simpático do que estava à espera. Na televisão parece assim um bocadinho mais sisudo. Menos dado
às pessoas e à convivência, mas aqui mostrou-se bem diferente».
Não gostou apenas do que viu. Gostou também do que
ouviu. «Acho que a mensagem dele é mais do que actual. Destaco à chamada de atenção às pessoas para se unirem na fé, para
a revigorarem, que anda um bocadinho mórbida».
Albino Vilanova, de 55 anos, e também de Carcavelos, confessou que,
por vezes, quando pensa no Papa, a boca ainda lhe foge para o «nome do outro». Disse que admirava o sorriso do outro Papa.
A este, chamou-o «o Papa do sorriso». «Tinha a ideia que o outro era mais popular, conseguia congregar mais os jovens. Este
tinha a ideia de ser mais imperialista, sendo alemão, frio, mas não. Tenho uma imagem totalmente diferente».
Três
espanholas sexagenárias de Cáceres, Remédios Paulina e Francisca, também sentiram o mesmo, desculpando qualquer percepção
menos simpática com a idade. «É já um idosos», disseram.
Maria Marques, uma brasileira de 56 anos que vive em Santa
Iria da Azóia, viu por outro lado a marca da juventude em Bento XVI e a empatia que criou com eles. «Fiquei hoje em pé sete
horas para o ver». Ao seu lado, José Santos, quase vinte anos mais velho, e com um chapéu à cowboy a protegê-lo do sol, também
dizia que «toda a juventude foi óptima para presença do Papa», rematando: «Foi uma grande vitória para o Santo Padre vir aqui».
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