A época mais crítica de incêndios termina na quarta-feira com 10.614 ocorrências de incêndios registadas entre 01 de julho e hoje, das 14.838 verificadas desde o início deste ano, segundo dados oficiais.

Os dados de ocorrências de incêndios registados durante a fase "Charlie" - de 01 de julho até quarta-feira - foram obtidos pelo somatório das ocorrências registadas nos meses de julho, agosto e setembro (até dia 29), disponíveis na página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) na internet.

O total de ocorrências verificadas desde o início do ano até ao dia 15 consta do relatório provisório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), disponível na internet.

Durante a fase “Charlie” de combate a fogos florestais estiveram operacionais 2.234 equipas das diferentes forças envolvidas, 9.721 operacionais e 2.050 veículos, além dos 236 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

O DECIF definiu 49 meios aéreos, mas a fase crítica de fogos arrancou com 45, uma vez que o dispositivo não contava com os quatro helicópteros Kamov da frota do Estado que estavam inoperacionais.

Dos cinco Kamov previstos para integrar o DECIF deste ano, apenas um estava operacional no início desta fase. A 04 de agosto, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) indicou que já estavam operacionais três helicópteros pesados Kamov.

De acordo com o relatório provisório de incêndios florestais do ICNF, entre 01 de janeiro e 15 de setembro, registaram-se 14.838 ocorrências de fogos, um total que mais do que duplica as 6.552 ocorrências registadas em 2014 no mesmo período de tempo.

Quanto à área ardida, entre 01 de janeiro e 15 de setembro, os fogos consumiram 58.116 hectares de terreno, enquanto, em 2014, no mesmo intervalo de tempo, o total de área consumida por fogos foi de 19.484 hectares.

Segundo o mesmo relatório, entre 2005 e 2015 (até 15 de setembro), os anos com menor número de ocorrências de incêndios foram 2014 (6.552) e 2007 (9.852).

Entre 2005 e 2015, o ano de 2008 foi o que registou menor área ardida (12.659 hectares). Este ano, e de acordo com o total de área ardida, ocupa o sétimo lugar da tabela.

Segundo o relatório do ICNF, os maiores incêndios registaram-se em Sortelha (Sabugal, distrito da Guarda), onde, a 22 de agosto, arderam 4.661 hectares de terreno, em Candemil (Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana do Castelo), onde, no dia 08 do mesmo mês, arderam 3.024 hectares de terreno, e em Pessegueiro do Vouga (Sever do Vouga, distrito de Aveiro) onde, a 02 de abril, o fogo devastou 1.574 hectares.

Segundo a a página da ANPC na internet, no mês de Julho registaram-se em Portugal 4.056 ocorrências de incêndio, em agosto verificaram-se 4.265 ocorrências, e de 01 de setembro até 29 de setembro registaram-se 2.293 ocorrências.

O dispositivo de combate a incêndios florestais, orçado este ano em perto de 80 milhões de euros, é idêntico ao de 2014, sendo reforçado com 17 equipas nos corpos de bombeiros.