A época mais crítica em incêndios florestais começa na terça-feira e o dispositivo de combate é reforçado este ano com mais 250 bombeiros e quatro meios aéreos em relação a 2013.

Durante a fase «Charlie» de combate a incêndios florestais, que decorre entre 01 de julho e 30 de setembro, vão estar operacionais 2.220 equipas das diferentes forças envolvidas, 9.697 elementos, 2.027 veículos e 49 meios aéreos, além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

O dispositivo de combate a incêndios florestais terá este ano um custo de 85 milhões de euros, mais 14 milhões de euros do que em 2013.

As corporações de bombeiros foram também reforçadas com 2.600 rádios SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), além de terem sido beneficiadas com aumentos nas comparticipações do combustível e nos veículos perdidos em combate.

Os operacionais que vão estar no terreno receberam um guia de bolsa, no qual constam as informações básicas de segurança.

O Ministério da Administração Interna e a Autoridade Nacional de Proteção Civil já afirmaram, várias vezes, que o principal objetivo durante a época de fogos é a segurança dos elementos envolvidos no combate e só, depois, a área ardida.

Em 2013, os incêndios florestais provocaram nove mortos, oito bombeiros e um autarca, e consumiram mais de 145 mil hectares, a maior área ardida dos últimos oito anos.

Devido a estas consequências, a apólice dos seguros que cobre a atividade dos bombeiros vai ser reforçada este verão, com aumentos de 11 por cento das indemnizações em caso de morte ou invalidez e 400 por cento em tratamentos, além do aumento de ações de formação e treino operacional.

Cerca de 5.000 operacionais receberam formação.

A fase «Charlie» de combate a incêndios florestais sucede à «Bravo», que termina na segunda-feira, e mobilizou, desde 15 de maio, 5.175 operacionais, 1.251 meios terrestes e 34 meios aéreos.

O relatório provisório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, entre 01 de janeiro e 15 de junho, registaram-se 2.713 ocorrências de fogo, mais 389 do que no mesmo período de 2013, que resultaram em 4.424 hectares de área ardida, um aumento de 48 por cento em relação ao ano passado.

Os distritos com maior área ardida este ano são a Guarda (871 hectares), Viana do Castelo (811 hectares) e Braga (645 hectares), enquanto o maior número de ocorrências registou-se no distrito do Porto (539), seguido de Braga (314) e Vila Real (273).

Maio foi o mês com maior número de incêndios, com 1.150 fogos, que provocaram 1.489 hectares de área ardida.

O relatório adianta ainda que se registraram cinco grandes incêndios este ano, que consumiram 1.105 hectares de espaços florestais, 25 por cento do total da área ardida até 15 de junho.

O maior incêndio deste ano ocorreu no dia 15 de junho em Portimão, distrito de Faro, e consumiu cerca de 384 hectares de floresta.