A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, garantiu que o dispositivo operacional de combate a incêndios está “em potência máxima”, mostrando-se confiante da operacionalidade dos meios técnicos e humanos no terreno.

Constança Urbano de Sousa falava à imprensa na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), em Carnaxide (Oeiras), onde presidiu à reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON), que assinalou o início da fase Charlie do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2016.

A ministra sublinhou, porém, que a meteorologia e o comportamento humano constituem dois fatores “imponderáveis” no que respeita aos incidentes, ainda que o primeiro seja mais previsível.

Mais de 9.700 operacionais

A época mais crítica em incêndios florestais começa esta sexta-feira, com um total de 9.708 operacionais, 2.235 equipas, 2.043 viaturas e 47 meios aéreos, um dispositivo idêntico ao de 2015.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) conta ainda na fase “Charlie”, que se prolonga até 30 de setembro, com 236 postos de vigia da responsabilidade da GNR.

Segundo o Ministério da Administração Interna (MAI), o dispositivo de combates a incêndios florestais está orçado em mais de 70 milhões de euros, sendo idêntico em recursos humanos e técnicos ao do ano passado.

Este ano vai ser testado em 18 corporações de bombeiros, uma por distrito, o sistema de georreferenciação nas viaturas operacionais com recurso à ‘rede Siresp’ (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), permitindo conhecer todas as suas movimentações durante o combate aos fogos.

Tanto para o MAI, como para a Autoridade Nacional de Proteção Civil, o grande objetivo do DECIF continua a ser a segurança das forças envolvidas no combate.

Nesse sentido, e no âmbito da preparação da época de fogos, foram desenvolvidas 304 ações de treino, envolvendo 7.100 operacionais, dos quais cerca de 5.400 foram bombeiros, segundo o MAI.

Nestas ações de treino, foi dada especial atenção “à segurança individual e coletiva no combate a incêndios florestais, tendo por objetivo a minimização de vítimas”.

A circular financeira, documento que fixa os princípios norteadores do pagamento das despesas com pessoal integrado no DECIF e das despesas extraordinárias com os fogos, como combustíveis, alimentação e equipamentos, tem, este ano, como novidade as regras para a substituição do material que arde nos incêndios.

Segundo a circular financeira deste ano, o equipamento dos bombeiros, que arde durante os incêndios florestais, como mangueiras, viaturas, moto-bombas, motosserras, vai ter de ser entregue à Autoridade Nacional de Proteção Civil, para que as corporações possam ser ressarcidas dos danos.

Tal como aconteceu no ano passado, não fazem parte dos 47 meios aéreos disponíveis, para época de fogos, os três helicópteros Kamov do Estado inoperacionais, que esperam reparação.

Na semana passada, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou, no parlamento, que os três helicópteros pesados “ainda não começaram a ser reparados” e também não foi decidida a forma como o concurso para a reparação se vai realizar.

Jorge Gomes disse ainda que a manutenção e operação dos helicópteros Kamov estão a ser investigadas pelo Ministério Público.

A época mais crítica em incêndios florestais começa com o valor mais baixo dos últimos dez anos no número de fogos, tendo-se verificado, entre 1 de janeiro e 29 de julho, 1.828 ocorrências, segundo apurou a Lusa.